Guia da Semana

Vai encarar?

Alguns garotos adoram quando as meninas são amantes de esportes. Mas, quando elas resolvem praticar modalidades menos femininas, a aprovação pode virar preconceito

Foto: Sxc.hu

Hoje em dia, já é mais comum o esporte fazer parte da lista de paixões de algumas meninas. Elas acompanham os campeonatos de futebol, praticam diversas modalidades e, em alguns casos, até fazem do esporte uma profissão. Muitos meninos aprovam a idéia e apóiam as garotas que têm esse desejo. Mas, quando se trata daqueles esportes considerados masculinos, como lutas e automobilismo, algumas meninas ainda sofrem com o preconceito.

Jennifer Fontebasso Costa, 18, é apaixonada por kart e pratica o esporte desde os 6 anos de idade. A piloto está cursando faculdade de Comunicação Social, mas não pretende largar o volante. Ela quer seguir carreira no automobilismo. "Sempre levei o kart a sério. Sempre acreditei, assim como qualquer piloto, que um dia posso correr na Fórmula 1", revela. Jennifer conheceu o kart aos 4 anos de idade, quando seus pais começaram a praticar o esporte. Ela freqüentava os kartódromos com eles e acabou se interessando pelo assunto. "Minha mãe sempre me motivou bastante. Assim que alcancei os pedais, comecei a correr", conta.
Foto: Arquivo Pessoal
Jennifer corre de kart desde os seis anos

Fã do ex-piloto de F1, Michael Schumacher, Jennifer sonha em seguir os passos do ídolo. Para isso, participa de diversos campeonatos e treina pesado. E o resultado não poderia ser melhor: Jennifer é vice-campeã mundial de Kart 2008, tetracampeã carioca, vice-campeã brasileira, campeã do Kart Indoor 2000, entre outras conquistas.

Mas, apesar do prestígio na categoria, Jennifer diz que ainda existe um preconceito em relação às meninas que praticam os esportes considerados masculinos. "Geralmente sou a única mulher na pista, ou até no evento. Por isso, sofro um pouco com o preconceito, até mesmo das próprias mulheres", revela. Mesmo assim, ela ainda tem esperança de que esse conceito de "esportes para homens" acabe em pouco tempo.

Patrícia Oliveira Souza, 19, lutou karatê por três anos, mas foi obrigada a parar por causa do curso de Produção Audiovisual. "Não estava mais conseguindo conciliar. Mas assim que terminar a faculdade, pretendo voltar", diz. Patrícia não chegou a participar de campeonatos, mas fez do esporte um estilo de vida. "Comecei a ler livros sobre karatê e tentar saber mais sobre o mestre Gishin Funakoshi*", conta.
Foto: Arquivo Pessoal
Os amigos de Patrícia achavam legal ela praticar karatê

A forma como Patrícia conheceu o karatê é bem curiosa e até romântica. "Fiquei sabendo do karatê por meio de um amigo meu, por quem eu era apaixonada. Comecei a praticar pra me aproximar dele. No fim, esqueci o amigo e me apaixonei pelo karatê". Ela nunca sofreu preconceito por praticar o esporte, prova disso é que os amigos e o ex-namorado gostavam da idéia. "Eles achavam que eu ia protegê-los", brinca. Apesar de nunca ter sofrido com isso, ela sabe que o preconceito existe e não concorda nem um pouco com o conceito de "esporte para homens". "Não entendo porque ´não podemos´ praticar um esporte mais violento. Existem homens bailarinos, que dançam muito bem, e não são nada afeminados", diz.

A estudante Renata Truchinski, 18, pratica boxe uma vez por semana há pouco mais de três anos. Ela não tem planos de disputar campeonatos, mas também não pretende parar de praticar. "Pra mim, o boxe é um exercício com o qual eu me identifiquei e adoro", revela. Renata escolheu o boxe por ser um esporte que mexe com todo o corpo, além de "ser ótimo para descontar a raiva".

Assim como Patrícia, Renata não sofre nenhum tipo de preconceito e também não defende a teoria de que existem esportes que só devem ser praticados por homens. "Acho importante que as mulheres pratiquem esse tipo de esporte e aprendam a se defender", diz.

O professor de natação e ginástica acrobática, Raphael Martinelli, admite que esse tipo de preconceito ainda existe, apesar de já ter diminuído bastante em relação a alguns anos. "Atualmente, 60% dos meus alunos são meninas. E posso dizer que elas estão em um nível de preparação tão elevado quanto o dos homens", revela. Para o professor Raphael, essa história de que certos esportes não foram feitos para garotas é besteira. "Essas meninas estão de parabéns por serem corajosas e entrarem de cabeça contra o preconceito esportivo", defende o professor.

Foto: Arquivo Pessoal
Paulo admira as meninas esportistas

E se alguns meninos ainda alimentam esse preconceito contra as garotas adeptas dos esportes "masculinos", outros confessam que acham a idéia bem interessante. "Essas meninas são determinadas e têm força de vontade para mostrar o poder que as mulheres têm", admite o ilustrador e designer Paulo Meira.

Paulo, 23, acredita que a prática de esportes está muito mais ligada ao cuidado com a saúde e o bem-estar e garante que, independente da modalidade que praticam, o importante mesmo é que as meninas não percam a feminilidade.

*Gishin Funakoshi criou os estilos de karatê Shotokai e Shotokan, além de ter difundido o esporte no Japão e, posteriormente, no ocidente.

Atualizado em 6 Set 2011.

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