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Você consegue!

A infância é sempre cheia de inseguranças. Nessa hora, como os pais devem incentivar a auto-confiança dos filhos?

Por Nathalya Buracoff

Toda sala de aula sempre tem aquele garotinho tímido, com dificuldades nos esportes e poucos amigos. Essa é uma situação comum, principalmente no início da vida escolar, onde aqueles pequenos obstáculos parecem o maior problema do mundo. Em casos assim, será que é possível contornar a situação e incentivar crianças, sem forçar um desenvolvimento precoce? 

Exemplo vem de casa

De acordo com a psicóloga Rosane Schiller, do Colégio Santo Américo, em São Paulo, no início do desenvolvimento da personalidade, as crianças se enxergam através dos olhos dos pais. Por essa razão, a melhor maneira de educação é o bom e velho exemplo. "Se o olhar dos pais é frustrado, desapontado, os filhos criam esta auto-imagem. Por isso, mesmo em momentos difíceis, o olhar do adulto deve passar confiança e incentivo, para que os filhos não se sintam desapontados".

No caso de crianças consideradas preguiçosas, é interessante que os pais participem de pequenos rituais, como escovar os dentes ou arrumar o quarto. Em vez de um clima de cobrança, é necessário incentivar . Convidar o filho para escovar os dentes junto com o pai, por exemplo, estreita os laços afetivos e começa a desenvolver certa autonomia, fazendo com que ele perceba que já consegue fazer pequenas tarefas sozinho.

Liberdade de escolha

Nada de filhinho da mamãe. A autonomia pode ser trabalhada através da supervisão de atividades, desde que haja espaço para as escolhas particulares. Lembrando que após atingido um certo grau de independência fora de casa - como comer sozinha e tomar banho - crianças não devem ser tratadas como bebês ."Crianças aprendem muito rápido. Os pais não devem ter medo de acreditar nelas. Temos que soltá-las, para estar ao seu lado como um símbolo de segurança, pois esta é a posição que ocuparemos durante o resto de suas vidas ", diz Rosanne

Brincando e aprendendo

O ambiente escolar é um dos mais competitivos. É nessa fase em que as crianças começam a se comparar com os demais colegas. Foi o que aconteceu com Julia Pacheco, de 6 anos. Prestes a cursar a primeira série, a garotinha tem enfrentado alguns problemas de alfabetização (normais da idade), enquanto alguns colegas já se encontram mais avançados nessa fase.

Questionada pela filha sobre sua capacidade, a mãe Eliane costuma optar pelo apoio incondicional. "Na hora de fazer a lição de casa, sempre a incentivamos, dizendo que ela é muito inteligente, esperta e que acreditamos muito no potencial dela. Mas, às vezes, ela se mostra insegura, por ainda não saber identificar as palavras, ou escrever o seu nome".

Para a psicoterapeuta Ana Cristina Caldeira, nessas situações, é fundamental se interessar pelo universo infantil, para entender as suas necessidades. "É importante reforçar o que a criança está aprendendo na escola. Perguntar a cada dia o que ela aprendeu de novo, no que sente dificuldade. Se ela está sendo alfabetizada, é interessante que os pais criem um ambiente favorável à leitura".

Ana explica que para superar dificuldades, é necessário criar uma rotina favorável. No caso da problemas com a leitura, por exemplo, deve-se investir em jogos pedagógicos e passeios literários. Para os que não possuem habilidades esportivas, comprar uma bola, incentivar aulas de futebol ou vôlei. Tudo que associe o aprendizado ao lúdico.

Pequeno espelho

Muitos pais sentem medo de sobrecarregar seus filhos com atividades fora da escola. Mas a verdade é que quanto mais a criança experimenta habilidades diferentes, mais ela sabe do que gosta. Diversas práticas podem ajudar o desenvolvimento, envolvendo o mundo dos esportes, da música, da dança, ou das línguas. Lembrando que é sempre importante achar um meio-termo, para não tornar o divertido em obrigação maçante.

Este sentimento de obrigação pode ocorrer pela necessidade de compensação de alguns pais - que enxergam a si mesmos nos filhos e querem proporcionar tudo o que não tiveram na infância, como explica Ana. "A insegurança e a vaidade fazem com que você queria que o seu filho seja o melhor em tudo. Mas a serviço de quem estão esses méritos? De você ou da criança? De quem é a vontade? É necessários que os pais promovam essa separação".

Estimule-o!

Encoraje seu filho a praticar novas atividades, assim ele começa a conhecer melhor as próprias capacidades.

Quando for repreendê-lo, procure não deixar um clima de cobrança e sim de incentivo.

Tenha um ambiente caseiro organizado. A criança precisa ter uma rotina com horários estabelecida para aprender a lidar com prazos e se adaptar às cobranças.

Converse com a direção da escola e com a professora. Elas podem informar sobre o comportamento do seu filho longe dos seus olhos.

Convide-o a participar de algumas tarefas simples dentro de casa. Isso ajuda a desenvolver novas habilidades.

Estimule a leitura por meio de brincadeiras e, sempre que possível, coloque seu filho em contato com outras crianças.

Lembre-se que seu filho não é você! Ele tem suas próprias vontades e é preciso respeitá-las.



Colaboraram:
Rosane Schiller
Ana Cristina Caldeira

Atualizado em 10 Abr 2012.

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