Guia da Semana

Você de castigo na escola do seu filho

Participar das periódicas reuniões escolares pode não ser o melhor momento de um pai ou mãe, mas é necessário reservar esse tempo para saber como seu filho segue na unidade de ensino

Foto:Getty Images


Ao menos duas vezes no ano acontece a reunião de pais e professores. São apresentados o cronograma e as diretrizes da escola, o desempenho do pequeno é analisado e a oportunidade de conhecer quem cuida e ensina seus filhos.

Porém, para os pais, a tarefa é complicada, uns se sentem entediados por passar horas sentados em cadeiras pequenas e duras ouvindo professores. Outros ficam irritados com os comentários de outros pais e alguns acham que os professores estão lhes transferindo a culpa pelo baixo desempenho da criança. O momento que deveria ser voltado para conversar sobre educação, infância e comunidade se transforma em longas horas de fastio.

Percebendo o desinteresse dos pais, algumas escolas mudaram seu modo de abordagem nas reuniões. Cíntia Cimão, coordenadora pedagógica, afirma que a mudança não foi apenas devido à baixa freqüência dos responsáveis, mas também pela experiência como educadoras e mães, "a diretora da escola foi a uma reunião onde a filha dela estuda, chegando lá, percebeu que era como se os professores estivessem dando aula de pedagogia aos pais, estavam todos entediados".

Segundo a educadora, os pais nem sempre estão interessados em saber os novos métodos de ensino. Há três grandes reuniões programadas, a primeira apresenta o projeto educacional do ano, as outras duas acontecem ao final do 1º e 2º trimestre, há um encontro para debater sobre temas atuais que não estejam no programa.

Em sua escola, Sílvia não enfrenta dificuldades para abrir diálogo. A participação gira entre 60% e 80%, sendo que os responsáveis pelos menores são mais assíduos. Para ela, quando o pai compreende a proposta da escola, passa a se envolver.

Há reuniões com professores e coordenadores, além de encontros para os pequenos mostrarem seus trabalhos. As conversas possuem em pauta alguns temas relacionados ao desenvolvimento infantil. Para ela, esta geração de pais não tem muitos filhos, irmãos ou primos e não pôde observar de perto o desenvolvimento de uma criança. "O saber que antes era passado de geração para geração, hoje em dia, não é mais. Além disto, há outras questões, que antes nem eram estudadas, como a neurologia e a psicopedagogia".

A educação mudou e agora não é mais discutido o desempenho de cada aluno nos encontros coletivos. Para Cíntia, este debate é "injusto e improdutivo", além de expor o aluno para os outros pais. Para comentar estes assuntos mais pessoais, há reuniões individuais.

Nestes encontros, os professores precisam ter muita cautela e medir palavras, principalmente na hora de contar para os pais que a criança apresenta algumas dificuldades. "É preciso ter respeito. Temos que entender que cada uma está passando por um momento. Depois, é abordado o ponto de vista pedagógico, tomando muito cuidado para não entrar na privacidade da família".

De qualquer forma, os pais precisam estar abertos à conversa. Para Angelina, diretora de escola, "não existe trabalho só da escola ou só da família, na construção do conhecimento, todo mundo precisa falar a mesma língua". Mas, ela tem visto um problema: nas reuniões os pais tendem a transferir para a escola a responsabilidade sobre a criança e a tarefa de observar e acompanhar o pequeno. A vida anda corrida e passar valores, que antes era uma obrigação da família, virou uma missão a ser desenvolvida por pais e escola.

Segundo a psicóloga Maria Irene, mesmo sem muitas horas livres, é fundamental valorizar o tempo que pais e filhos podem aproveitar juntos. Nem que sejam apenas 30-40 minutos ou um fim de semana, é necessário dividir histórias, criar vínculos e ser camarada. Porém, sem perder o foco principal, que é contribuir positivamente para a formação de um ser humano. A especialista diz ainda que "À escola compete um papel interessante na sociedade, ela se adapta às mudanças sociais, mas muda devagar. Preserva valores e transmite conhecimento, padrões da moralidade e da ética". Por isto, pelo bem da criança, a comunicação entre pais e instituição tem que ser clara e sincera.



Dicas para evitar problemas na hora da reunião
Informação:
É importante ressaltar que, a relação entre pais e professores é guiada pela proposta pedagógica da escola. Por isto, até mesmo quem não está interessado em manter um relacionamento estreito com a instituição deve se informar sobre isto antes de fazer a matrícula.

Trabalho em grupo:
Educar o pequeno é uma tarefa que deve ser realizada por pais e professores em conjunto. A criança é o centro da conversa e esta deve ser a maior motivação para que pais arranjem um tempinho para falar com a escola.

Disposição:

Mandar tio, babá ou qualquer outra pessoa que não seja o responsável para a reunião não é uma boa opção, afinal, lá são discutidas questões éticas e morais, além de alguns problemas pessoais que podem interferir na vida escolar do pequeno. Caso os responsáveis tenham algum compromisso agendado para o período do encontro, o ideal seria marcar um outro horário para uma conversa.

No cantinho: As dificuldades específicas de cada criança devem ser tratadas em reuniões individuais. Assim, é possível entender melhor o que está acontecendo, descobrir a origem do problema.




Fontes:

Maria Irene Maluf
Pedagoga
Especialista em Educação Especial e Psicopedagogia
Telefone: (11) 3258-5715

Cintia Fondora Cimão
Assistente de direção da Escola Castanheiras
Telefone: (11) 4152-4600

Angelina Brandão
Diretora da Prima Escola Montessori de São Paulo
Telefone: (11)5563-1392

Sílvia K.
Diretora da Escola Viva
Telefone: (11) 3040-2250

Atualizado em 6 Set 2011.

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