Venha provar meu brunch
A refeição norte-americana, apreciada principalmente aos domingos, cai no gosto dos brasileiros e entra para a lista de prioridades gastronômicas de grandes hotéis
Da terra do Tio Sam, ele aparece na contramão da correria do dia a dia e pede calma e tempo para degustar uma imensa variedade de quitutes. No menu, pãezinhos, queijos, croissants, panquecas, muffins e waffles dividem a mesa com exuberantes saladas verdes, tortas salgadas e pratos quentes (como um medalhão de filé ou uma massa gratinada). A fartura gastronômica só tem fim com uma delicada sobremesa, que pode variar de uma saladinha de fruta a uma tartalette com calda de chocolate.
A proposta do brunch é ser uma combinação do café da manhã (breakfast) e almoço (lunch). Por isso, ele é servido normalmente a partir das 9h ou 10h e se estende até a metade da tarde. Mas pare para pensar: quantas pessoas teriam o privilégio de dedicar tantas horas do dia a um desjejum descompromissado durante a semana? Poucas, muito provavelmente. É por esse motivo que a refeição já nasce típica dos domingos, em que fica mais fácil reunir informalmente amigos ou familiares para saborear demoradamente cada iguaria.
Sabe aqueles encontros matinais de filmes e seriados norte-americanos em que uma família se senta em frente a uma mesa farta com ovos mexidos, bacon, panquecas, waffles e diversos tipos de geleia? É mais ou menos desse hábito que ele nasce e são basicamente esses itens que não podem faltar num tradicional brunch dos Estados Unidos.
O costume cruzou fronteiras e hoje em dia é contemplado em países de todo o mundo, adaptando-se à cultura de cada um deles. É comum encontrar, por exemplo, restaurantes internacionais com um cardápio variado de brunchs, conforme a nacionalidade.
Jeitinho brasileiro
No Brasil, segundo o chef Marcelo Pinheiro do restaurante Tarsila, a refeição surgiu em meados da década de 80. Mas a abundância gastronômica logo pela manhã já era bastante conhecida na região Sul do país, onde os imigrantes alemães deixaram como herança o café colonial.
No lugar de croissants, muffins e waffles, o café colonial apresenta uma grande variedade de pães recheados, queijos, presuntos, tortas, rocamboles, além do clássico cafezinho ou café com leite. O cardápio pode conter também bolo de milho, fubá, broa e até uma variedade de carnes e cozidos. "É uma refeição mais voltada à fazenda, aquela coisa mais rústica, com receitas preparadas em casa mesmo", explica Marcelo Pinheiro.
Nas cidades de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul - como Joinville, Blumenau, Gramado, Nova Petrópolis e Santa Cruz do Sul - o café colonial faz parte da rotina local e cai nas graças dos turistas que se impressionam com o banquete caseiro servido nas primeiras horas do dia. E, assim como o brunch, ele vai além do café da manhã e pode ser degustado tranquilamente até a metade da tarde.
Queridinho dos hotéis
No coração de Copacabana, o restaurante Branche, do Hotel Tulip Inn, incorporou o hábito norte-americano ao menu servido aos clientes nos domingos. "Como há muitos turistas pela região, optou-se por um cardápio variado, seguindo a linha da cozinha internacional", explica o chef Eraldo Machado, responsável pela preparação dos pratos servidos das 12h às 16h.
Além da mesa de frios e pães na entrada, sete tipos de saladas, terrine de coelho, patê de cordeiro, aspic de legumes, mosaico de salmão e linguado, carpaccio de filé e gaspacho andaluz. No cardápio principal, iguarias como medalhão de filé ao molho dijon, salmão pôele ao vinagrete de funcho, peito de frango recheado com especiarias e penne de alcachofra com camarão ao creme de alho poro. Para saborear tudo isso, paga-se R$ 46,50 por pessoa, incluindo sobremesa e uma taça de espumante Dal Pizol - porque no brunch é permitido até bebida alcoólica.
Já no Atlantis, também na capital carioca, o chef Rollan Villard propõe uma refeição dominical com frutos do mar. Das 12h30 às 16h é possível apreciar uma lagosta em salada provençale, copos de guacamole e camarão ou rillette de peixe temperado com cúrcuma na entrada. Bacalhau à moda do Zé ou haddock ao molho de vinho branco, acompanhados de risoto de frutos do mar são as sugestões para os pratos quentes. Pâtisseries elaboradas pelo chef Dominique Guerin dão o toque final ao brunch, que custa R$ 105 por pessoa.
Pelo mesmo valor, o restaurante Tarsila, em São Paulo, oferece quatro versões temáticas, que mudam a cada semana. Lá, eles são puxados por um dos carros-chefes: ostras, bacalhau grelhado com raiz forte, navarin de cordeiro (preparada com legumes e ervas) ou espetinho de camarão com vieiras. Além de um grande leque de sucos de frutas da Amazônia, uma mesa de sobremesa regada a macarrons, tortas, musses e iogurtes com frutas. Mas a grande vedete mesmo é a estação de crepe suzete ou frutas flambadas, preparadas na frente do cliente - para ninguém colocar defeito.



