No seu ritmo

Não apenas seus amigos podem ouvir sua lista de músicas preferidas. Agora você pode fazer sucesso na noite para uma pista lotada

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A noite é cada vez mais eclética e recebe cada vez mais DJs

Seja no eletrônico, rock, funk, reggae ou forró, independente do som, o importante é curtir a noite e balançar o corpo na pista. E são os DJs os responsáveis por embalar o ritmo que vai fazer você se jogar com tudo na festa. Hoje em dia, com a alta das novas tecnologias, é possível montar um setlist personalizado, compartilhá-lo com os amigos e porque não, levá-lo para a balada. Seguindo essa tendência, algumas festas escolhem os próprios frequentadores para montarem a trilha sonora da noite e conseguir levar a galera ao delírio. Auxiliados por DJs profissionais, os aspirantes ocupam o espaço mais alto do evento e para isso é preciso uma boa preparação e, claro, conhecer muito de música.

Estreia na carrapetas

Uma simples festa em casa pode te levar ao posto de anfitrião da noite, no quesito som. Hoje em dia o set do seu Ipod já pode figurar entre baladas e ser disputado por frequentadores de casas noturnas. Com o intuito de fidelizar e chamar atenção de novos adeptos, estabelecimentos vêm dando a oportunidade do baladeiro pular da pista diretamente para os picapes e animar o ambiente.

Umas das casas mais animadas da noite paulistana, A Lôca, inovou em 1998 com a festa Grind. O projeto nasceu da necessidade de fazer algo diferente no circuito e ganhou dezenas de adeptos, inclusive para aniversariantes que podem assumir o som da balada. "Investimos em uma matinê de rock, numa época em que o gênero era dado como morto. Criamos uma festa em que os próprios frequentadores assumiam os picapes em um período que o DJ era tido como intocável e é sucesso até hoje", ressalta André Pomba, organizador da festa.

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Celso Tavares começou a tocar por acaso e hoje é residente de uma casa

Um exemplo de que frequentar baladas assiduamente pode, além de uma noite divertida, render frutos positivos está no caso de Celso Tavares. Depois de anos batendo cartão na A Lôca, foi convidado em 1999 por Pomba a comandar o som da festa e fez disso sua profissão. "Eu nunca tinha discotecado, mas eu enchia tanto o saco do pessoal de lá com músicas que eu queria ouvir, que uma hora o Pomba sugeriu: 'prepara um set que marco pra você tocar aqui'. Eu gelei, mas encarei o desafio", comenta Celso que hoje é residente da baladinha Astronete.

Quem pode

O critério chave para a escolha de quem comandará o som é variado. Segundo um dos organizadores das nights do Dama de Ferro, no Rio de Janeiro, Túlio Mosci, fazer bonito por trás da mesa e agradar o público não requer anos de experiência, mas sim botar a mão na massa e agradar a galera. "Existem pessoas que os amigos sempre ficaram curiosos do que resultaria se eles assumissem o som de uma casa. Isso começou a dar tanto resultado, assim como alguns DJs muito caros que contratávamos, sendo que muitas vezes os iniciantes nem cobram. O que precisa é ter feeling, pesquisar as músicas que vai tocar e construir um set que agrade a pista.".

Esquentando os picapes

O frio na barriga parece ser algo natural entre os marinheiros de primeira viagem. Parece simples para quem apenas vê o DJ por trás da mesa, mas na teoria é muito mais complexo. "Lembro que quando toquei a primeira vez, corri atrás de muitas músicas que não tinha, peguei CDs emprestados com amigos, marquei o tempo de cada faixa numa folha. Escutei todas em casa e procurei ter coerência na escolha pra uma casar bem com a outra. Foi bem difícil mostrar ali tudo que eu escutava e tinha vontade de ouvir numa pista", afirma Celso Tavares.

Tocando apenas com os amigos e tirando a prática como lazer, Bruno Araújo discoteca na DJ Club em São Paulo e costuma frequentar também o Milo Garage, Vegas e Neu. Para ele estar no comando do som por diversão não necessariamente o obrigue a tocar o que a casa pede, há espaço pra brincar com coisas pouco usuais. "Apesar de parecer simples e rápido, escolher músicas para discotecar é difícil. Você sempre tem que pensar em algo dançante e empolgante, mesmo que incomum. Mas eu adoro fazer isso! Criar setlists para festas imaginárias é muito bom", comenta.

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Para fazer sucesso e sair bem falado é preciso interagir com o público durante a noite

Som do bom

Não adianta ter estilo ou ser conhecido na casa. O negócio é ter um gosto musical apurado e interagir com a pista. A ecleticidade é uma característica que faz com que o quase DJ seja querido ou odiado na noite. De acordo com Túlio, da Dama de Ferro, a música fala muito da personalidade de quem está à frente dos picapes. "É uma manifestação de gosto e estilo, por isso deve estar de acordo  com o gosto dos presentes. Não há um setlist determinado, sim uma pré confiança no que o convidado passa através de seu set".

Em São Paulo, na A Lôca, Pomba pede um setlist prévio para que ele avalie e evite repetições. Mesmo assim, prefere intercalar o novato com um DJ profissional. Sobre o convite dos novatos,  acredita que os frequentadores sejam fidelizados e chamem mais pessoas para prestigiar os amigos tocando. "Hoje com tantos DJs, o fundamental passa a ser agregar público. Para quem gostar, quiser tocar em uma casa ou pretende entrar no meio é ideal provar que pode levar público para as festas e divulgá-las", sugere.

Já na opinião dos aspirantes a DJ, o gosto pessoal é o que faz com que cativem seu público e lote a pista. "Toco músicas que gosto, dicas de amigos, presto atenção no que as pessoas pedem, sinto como rola o som na pista, se é uma música nova procuro colocar no inicio da noite e fico atento às reações", afirma Celso Tavares.

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