Guia da Semana

Como penso como

Evento criado pela food designer Simone Mattar convida para uma experiência multi-sensorial que alia arte, design e gastronomia

Este evento terminou

Como penso como

Data 11 Nov 2014-16 Nov 2014
11 a 16 de novembro de 2014

Preço(s) R$ 250 por pessoa

Horário(s) Degustações diárias às 18h30 e às 21h30

Rua Colômbia, 157, Oeste 01438-000

Acontece entre os dias 11 e 16 de novembro o Como Penso Como, experiência multi-sensorial que mescla arte, cultura, história e gastronomia na Casa Electrolux. No evento, criado pela artista e food designer Simone Mattar, os convidados passam por uma imersão usando os cinco sentidos, em que se transmite a história e a identidade brasileira por meio de diferentes manifestações em torno de nove pratos elaborados como obras de arte.

As referências usadas pela artista na concepção dos pratos são frutos de sua pesquisa que durou quatro anos sobre história da alimentação brasileira. O resultado reconstrói a identidade do Brasil, usando inspirações nos universos gastronômicos indígena, africano, nordestino e português. 

Os ingressos custam R$ 250 por pessoa e podem ser comprados pelo site Ingresso Rápido.

O roteiro da experiência

Com cenografia de Marko Brajovic, Como Penso Como tem seu ápice na degustação das nove obras comestíveis, sendo três sobremesas. São duas sessões diárias para 20 pessoas cada. Antes de cada imersão, os convidados são entretidos por atores que declamam textos relacionados a cada um dos pratos que serão servidos. 

Entre eles, temos “A Cabeça do Bispo”, inspirado no Movimento Antropofágo de Oswald de Andrade, que apresenta pequenas cabeças comestíveis, representando o Bispo Sardinha, personagem histórico que foi devorado pelos índios caetés, evento que inspirou o manifesto antropófago escrito por Oswald. Este prato é feito de mousse de sardinha, representando o “banquete indígena”.

Entre as sobremesas, “A Preço de Banana” é inspirada em Carmem Miranda e é questionada a imagem de um Brasil “vendido a preço de ouro”. Neste prato, servido por uma atriz que interpreta a cantora, de uma escultura de porcelana branca sai uma banana dourada, feita de mousse de chocolate branco caramelizado com recheio de doce de banana. Estes e outros pratos profundamente calcados na identidade brasileira, se misturam a odores, sons, além das performances, e criam uma experiência sensorial única.

Conheça os nove pratos e seus significados socioculturais e históricos: 

1º prato – “Grande Poder”
Tem como base o principal alimento da culinária indígena brasileira, a mandioca. Com este ingrediente, Simone criou uma cúpula em formato de luminária que dá luz ao bloco de madeira que serve de apoio para o prato. O prato vem acompanhado por um croquete liquido de tacacá, pato curado no molho arubé e mandioca crocante.

2º prato – “Cabeça do Bispo”
O intuito desta obra é e pensar a gastronomia a partir do conceito do Manifesto Antropofágo. Para isso, Simone recupera a história da canibalização do Bispo Sardinha pelos índios Caetés, fato que inspirou o Movimento Antropofágico de Oswald de Andrade. O prato traz esculturas de cabeças prateadas feitas com mousse de sardinha e recheadas de molho oriental.

3º prato – “Sonho real”
Inspirado no Baile da Ilha Fiscal, de 1889 , o prato é servido pelo Barão de SampaioViana, um dos idealizadores daquele que foi oúltimo baile do Império no Brasil, feito para marcar o glamour da corte contra os ventos republicanos. O baile ficou famoso como a festa brasileira mais ostensiva que jamais se viu e foi bancada por um desvio de verbas que cobririam uma situação calamitosa de seca no Ceará. Nele, um travesserinho em porcelana biscuit serve de suporte a uma versão salgada de sonho, recheado com brandade de bacalhau e pimenta-do-reino. A coroa é feita de telha de alho.

4º prato – “Oludumaré”
Inspirada nas comidas servidas nos terreiros de Cadomblé como oferendas a orixás, três bolinhos feitos de uma massa com farinha de arroz e leite de coco são recheados com peixe, camarão e flor de alho para Iemanjá; vinho de palma e quiabo para Ogum; e galo capão e pimenta biquinho para Exú. No centro, uma esfera transparente é quebrada e dela sai uma fumaça aromatizada de cravo, canela e casca de obi, um fruto considerado sagrado pela religião. Embaixo, o acaçá, presente em todas as oferendas, é feito de milho branco e limão. É servido por Exú.

5º prato – “Peripécias de bode no reino dos bacanas”
Feita a partir da técnica do cinzelado, a marmita de alumínio em forma de mandacarú traz referência a Lampião, do Abaporu, tela de Tarsila do Amaral, e do diretor de cinema Glauber Rocha. Dentro da marmita: arroz cateto, paleta de bode glaceada, jerimum, queijo coalho, leite de cabra e manteiga de garrafa. Na base, farofa de paçoca de pilão, urucum e cúrcuma servidos em pedra de madeira.

6º prato – “Ossos do ofício”
As mulheres de uma comunidade chamada Jardim, localizada no estado de Mato Grosso do Sul, possuem um trabalho artístico único: elas usam ossos para esculpir verdadeiras obras de arte que, no final, parecem ser feitas de marfim. Este prato tem como inspiração homenagear essas mulheres. O prato vem preparado junto a uma escultura feita no osso e é composto de barriga de porco crocante sobre purê de cítricos, picles e mini flores comestíveis.

7º prato – “A preço de banana”
Inspirada em Carmen Miranda, o prato questiona a imagem de um Brasil “vendido a preço de ouro”. Da escultura de porcelana, sai uma banana dourada feita de mousse de chocolate branco caramelizado e envolto em calda de canela e recheado com doce de banana.

8º prato – “Conflito: festa do divino”
Inspirado na festa do Divino Espírito Santo, o prato representa a influência do catolicismo na alimentação do brasileiro. O tema é ilustrado pela pomba do Divino, um símbolo do Espírito Santo católico, que está no meio do prato representando a paz, cercado de nomes de lugares onde estão ocorrendo conflito ou guerras. O doce, em formato de fogueira, é feito de chocolate com pimenta e crocante de araçá.

9º prato – “Tabuleiro brasileiro”
Este tabuleiro traz memórias de quitutes culinários de diversas infâncias, resgatadas do imaginário popular. Os itens escolhidos têm relação com a comida de rua e com a lembrança de quando comemos fora de hora. Todos os elementos são comuns na doçaria brasileira e são vendidos na rua: paçoca, goiabada e doce de graviola aparecem em forma de papeis e renda. O tabuleiro traz paçoca Amor feita de mousse de amendoim envolta em folha de coco, mousse de goiabada envolta em papel de goiaba e bala de jabuticaba.

Por Marina Marques
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