Guia da Semana

Colheita global

Fundos multimercado com aplicações no exterior permitem diversificação de ativos. No entanto, operação exige grandes aportes financeiros e apresenta riscos proporcionais ao investimento.

 



Petróleo russo, ações de empresas do Vale do Silício, aquisição de libras esterlinas e uma carteira recheada de investimentos estrangeiros. Se antes era necessário ter conta lá fora e operar em dólar para aplicar em ativos do exterior, agora basta ter uma boa grana disponível e procurar bancos e corretoras para fazer investimentos utilizando o real como moeda de transação. Novas modalidades de fundos multimercado permitem aos interessados participar de uma verdadeira partida de Monopólio, só que na vida real.

Apesar da globalização, houve uma certa demora para que investidores brasileiros pudessem utilizar esse tipo de aplicação. Somente em 2007, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) autorizou a aplicação em papéis, ações e letras do tesouro de países estrangeiros por fundos de multimercado. No entanto, o valor era limitado a 20% dos recursos captados pela transação.

Em fevereiro deste ano, a instrução 465 da CVM ampliou para até 100% o montante a ser investido, desde que os ativos sejam reconhecidos pela autarquia.

Segundo Samy Dana, professor de finanças da FGV-São Paulo, os novos produtos funcionam de forma similar aos hedge funds, existentes no mercado de capitais norte-americano desde 1949. "O surgimento dessa opção de investimento no Brasil mostra a maturidade de nosso mercado, que passa a criar esses produtos para atuar no exterior".

O professor explica que a diversidade de aplicações é uma forma de proteger renda e minimizar eventuais perdas de investidores por conta de variações da economia em um único país. "Num fundo multimercado, o gestor tem a possibilidade de diversificar os ativos nos mais diferentes setores e países, diminuindo assim o risco sistêmico, aquele que é dependente dos cenários político-econômicos dos mercados onde estão alocados esses papéis, títulos e moedas". No entanto, esse tipo de aplicação não é para qualquer investidor. "O público desse tipo de produto é formado principalmente por pessoas que já têm patrimônio consolidado e se interessam em preservar reservas em dólar", destaca Dana. 

Investidores qualificados

Para começar a aplicar, os multimercado com captação no exterior tem cota inicial de R$300 mil. A partir desse valor, o investidor é credenciado/reconhecido pela CVM como um investidor qualificado. Por isso, bancos e corretoras sabem que tipo de investidor captar. "Dificilmente alguma corretora ou banco irá propor participação nesse fundo para qualquer pessoa", comenta o economista Rodrigo Fiães.

Os fundos têm atingido seus objetivos, com rendimentos entre 15,3% e 20% no final de 2008.

Os índices saltam aos olhos, mas eles são tão sensíveis quanto qualquer outra aplicação em épocas de negras nuvens. No auge da crise que atingiu a economia global em outubro do ano passado, alguns fundos chegaram a perder 8,09%.

Segundo Fiães, a volatividade é comum ao mercado de capitais e atinge, em diferentes proporções, quaisquer sejam os produtos. Por essa e outras questões técnicas, Fiães acredita que os multimercado são destinados a investidores mais jovens, que ainda têm disposição para assumir riscos. Os ativos estrangeiros onde estão alocados os aportes financeiros são segredo de Estado, informados apenas aos clientes. Entre as opções comuns, moedas emergentes como yuan chinês e até o nosso real. Em nenhum tipo de fundo, o cliente tem gerência sobre as escolhas feitas pelo gestor, mas pode entrar em contato com ele para saber detalhes da movimentação e operação.

Acompanhar o trabalho do gestor e ter confiança em seus conhecimentos sobre o complicado mercado financeiro internacional é um dos pontos principais para se analisar antes de entrar num fundo desse tipo, comenta Bernardo Carneiro, advogado e sócio do escritório de advocacia Brasil Pereira Neto Galdino e Macedo. Além dessa preocupação, é importante também saber qual a instituição financeira responsável pela custódia. Em caso de desequilíbrio econômico, esta instituição precisa ter condições de arcar com os prejuízos.

Mesmo com o alto valor de ingresso e as variações típicas do mercado, Carneiro acredita que esse tipo de investimento tende, a longo prazo, tornar-se mais popular. "É um produto financeiro mais fácil de captar recursos e se tornar robusto, aumentando os rendimentos dos condôminos. Faz todo o sentido aplicar no mundo global, alocando patrimônio de forma diversificada".

Atualizado em 6 Set 2011.

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