Guia da Semana

Dividir e multiplicar

As redes P2P mudam o contato entre os usuários e apresentam formas inéditas para o compartilhamento de informações e arquivos


Foto: Getty Images

Virou prática comum baixar um CD pela Internet antes mesmo da venda nas lojas. Ou então, assistir a um lançamento do cinema na mesma semana em que é apresentado nas salas de projeções. Isso se tornou possível com a criação das redes P2P (peer-to-peer ou ponto-a-ponto). O que teve início com o polêmico Napster, hoje, é quase uma unanimidade e se tornou um meio conveniente de trocar áudio, vídeo, imagens, documentos e softwares abertos. A ordem é compartilhar arquivos e dados na Internet por meio de programas como Kazaa, BitTorrent, eMule, Morpheus, LimeWire, SoulSeek, Gnutella.

Segundo a empresa Websense, a quantidade de sites que oferecem compartilhamento de arquivos em rede P2P cresceu mais de 500% nos últimos anos. As possibilidades de troca geradas a partir dessas redes fizeram com que o público mudasse sua postura na Internet, especialmente em relação à pirataria e à segurança de seu PC. "Infelizmente, hoje as redes são mais conhecidas e utilizadas para troca de grandes arquivos ilegais, o que favorece a disseminação da pirataria e da fragilidade das máquinas", diz Marcos Prado, gerente de desenvolvimento de canais da Websense.

Riscos e benefícios

Pertencer a uma rede P2P garante uma ótima agilidade na troca de arquivos entre internautas, muito eficiente na transferência de dados, seja qual for a distância entre os usuários. Também representa um caminho mais simples até o download de seus conteúdos prediletos, adquiridos a partir de um número espantoso de fontes disponíveis. Por fim, é ideal para a velocidade de troca, já que não depende de um servidor que controle os dados.


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Entretanto, é considerado um dos maiores canais de infecção de computadores. Um arquivo compartilhado pode trazer um vírus, spyware ou outro tipo de malware, especialista em danificar seu PC. Outro ponto a ser destacado é que a conexão permite uma comunicação direta com outras máquinas, ou seja, seu aparelho fica aberto no sistema operacional.

"Isso torna particularmente difícil perceber se a máquina foi comprometida porque, como a pessoa está se comunicando com muitas outras simultaneamente, no meio do processo um vírus ou worm pode chegar ao PC discretamente e passar despercebido", aponta Alexandre Freire, consultor sênior em Segurança da Informação e autor do livro Como Blindar Seu PC. Aplicativos podem ser contaminados, dados financeiros e senhas capturados, além de transformar seu computador num participante de redes "zumbies" ou "botnets", utilizadas para o envio de spams.

Alvo antipirataria

Muito do que é trocado nessas redes é conteúdo protegido pela lei de direitos autorais e distribuído sem qualquer autorização do autor. Mesmo assim, a lei está agindo contra esses meios, aumentando a discussão. O site PirateBay, por exemplo, que abastece os usuários domésticos, está sendo fechado devido a processos de violação de leis internacionais de copyright. "Baixar um CD pela rede é o mesmo que comprar sua versão pirata em um camelô. A diferença é que não é preciso sair de casa, pois o download é realizado a partir de sites de Torrent", completa Freire.


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A Websense concorda com o cerco contra os disseminadores de conteúdo ilegal. "As empresas, por sua vez, devem redobrar a vigilância, pois percebemos a criação de diversos mecanismos que visam a burlar soluções de segurança. Isso inclui conexões SSL por meio de agentes para desktops", esclarece Marcos Prado.

Mas outros não concordam com as punições contra usuários domésticos. O ex-ministro da Cultura e cantor Gilberto Gil é um deles. Em entrevista ao jornal El País, Gil disse ser contra punições a internautas que baixam arquivos protegidos por direitos autorais e que está em jogo a liberdade na sociedade democrática. Ele se diz apenas a favor em caso de consenso social.

Segurança em primeiro lugar

A Microsoft e a SaferNet Brasil dão dicas para o compartilhamento de arquivos com segurança:

- Monitore o uso de P2P por sua família: filtros de Internet não são suficientes para impedir o acesso ou download de material ilegal ou que ofereça riscos ao computador.
- Todos os arquivos são suspeitos: antes de executar um novo arquivo, use antivírus para verificá-lo e o ative para checar sempre a segurança e o estado do disco rígido.
- Não incentive a pirataria: é aconselhável excluir do PC todo tipo de material ilegal e desabilite a opção de download do software P2P ou bloqueie o acesso externo ao programa.
- Conheça o software P2P escolhido: sempre tenha cuidado e restrições aos arquivos que irá disponibilizar na rede, criando uma única e exclusiva pasta para essa função no computador.
- Leia o contrato de uso dos programas e nunca permita a divulgação de seus dados pessoais.
- Faça buscas com cuidado e sempre confira o nome e a origem dos arquivos.
- Não faça cópias de arquivos protegidos por direitos autorais: o download ilegal e cópia do material são proibidos e deve ser realizado apenas a partir de site licenciado.
- Faça sempre backup de arquivos essenciais do computador antes de compartilhar ou fazer download de arquivos pela rede P2P.

Atualizado em 17 Jul 2012.

Por Angela Miguel
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