Guia da Semana

Épocas difíceis

Em A Menina que Roubava Livros, o autor Markus Zusak mostra a situação dos judeus na época de repreensão, por meio de uma garotinha e suas histórias

Foto: Reprodução

Um livro encantador e voltado para os que gostam de conhecer um pouco mais de momentos marcantes da história mundial. Em A Menina que Roubava Livros, publicado em 2006, mas lançado no Brasil no início de 2007, o australiano Markus Zusak traz à tona a Alemanha nazista, revelada pelos olhos de uma menina abandonada pela mãe biológica ainda pequena.

Entre 1934 e 1943, Adolf Hitler conseguiu convencer a população alemã de que os judeus eram uma raça inferior e que essa raça precisava ser extinta. Todos os fatos que acontecem no livro são narrados pela Morte, que se tornou fã de Liesel Meminger, a menina que viu seu irmão morrer em um acidente de trem e foi deixada pela mãe biológica para ser criada pela mal-humorada Rosa Hubermann e pelo amoroso e paciente Hans Hubermann - que a ensina a ler no porão de sua casa e também pede para que ela guarde um segredo.

A Morte narra diversas guerras que aconteceram em determinados momentos históricos, em épocas medievais, onde ela sempre estava presente para levar as almas dos que se foram. Ela também conta que Liesel roubou seu primeiro livro em uma fogueira, descreve como eram os desfiles de judeus, os furtos que muitas crianças faziam para tentar ter o que comer e as brigas de vizinhos, além de mostrar a situação precária que muitas pessoas precisavam passar quando ficavam nos porões de muitas casas que se tornavam abrigos para protegê-las dos ataques aéreos.

A menina trabalhava com a mãe de criação, lavando e entregando roupas, para ter o que comer em casa. Já o pai tocava arcodeom nas noites alemãs, também para conseguir uns trocados e comprar latas de ervilha para Rosa fazer a aguada sopa. Em dado momento, Liesel conhece Ilsa Hermann, a mulher do prefeito, que a leva para a biblioteca de sua casa e a deixa ler o livro que quiser.

Zusak usa uma narrativa simples e atraente, e descreve tudo de tal forma que faz com que o leitor imagine o cenário, as cores, o clima e até "ouça" o barulho. A menina cresce, se torna uma ladra de livros, consegue acalmar muitas pessoas com sua leitura nos abrigos e ainda mostra o verdadeiro valor da amizade com seu amigo (e verdadeiro amor) Rudy Steiner.

A Morte também traz diversas surpresas, mostra como muitos judeus tentavam sobreviver e como Hitler fez com que os alemães acreditassem que eram uma "raça superior" - e aborda o preconceito que eles tinham contra os judeus, tratados como objetos em campos de concentração, como escravos que morriam de fome.

Liesel vai crescendo e compreendendo aos poucos o que realmente acontece à sua volta, fingindo adoração por Hitler quando sentia o contrário, principalmente depois de conhecer Max Vandenburg e toda a sua história; além de descobrir que sua mãe biológica desapareceu, pois era suspeita de ajudar judeus a fugir da Alemanha.

Pra mim, é um livro encantador que mostra uma época em que muitos precisavam pensar em si para conseguir sobreviver, mas faziam o contrário, ajudando a quem quer que fosse, mesmo correndo riscos e sofrendo ameaças. A Rua Himmel (que significa "céu", em alemão), onde Liesel viveu com seus pais de criação e seu amigo Rudy, revela muitas histórias de amizade e compreensão. Gostei e indico!

A Menina Que Roubava Livros
Autor: Markus Zusak
Editora: Intrínseca
ISBN: 9788598078175
Ano: 2007
Edição: 1
Valor: R$ 22,90

  Quem é a colunista: Maraísa Bueno.

O que faz: jornalista e repórter da equipe do Guia da Semana.

Pecado Gastronômico: uma boa massa e, é claro, chocolate!

Melhor Lugar do Brasil: minha casa, na pequena cidade de Serrania, sul de Minas Gerais (também não dispenso uma boa praia!).

Para Falar com ela: maraisabf @gmail.com no twitter (@Maraisabf) ou acesse seu blog

Atualizado em 6 Set 2011.

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