Guia da Semana

Falta de Sorte

Oscar Filho mostra o que acontece quando tudo conspira contra você - de salto quebrado até perda do emprego

Foto: Getty Images


Maria Alice acordou assustada com o estrondo que vinha da rua. Levantou-se e ouviu um carro dando ré e indo embora cantando pneus. Desceu as escadas, abriu a porta da rua e viu seu carro batido.

Imediatamente veio à sua mente a alegria do dia anterior, quando o tirou da concessionária. Em seguida, lembrou da resposta negativa que deu ao vendedor quando ele perguntou: "Não quer aproveitar e fazer um seguro?"

Analisou o carro cuja traseira não existia mais. Um vizinho informou a chance que teve de anotar a placa do carro. Só não o fez pois não carregava papel e caneta e, mesmo que tivesse, estava sem óculos.

- Por que não o coloquei na garagem? - Perguntou a si mesma. E a si mesma respondeu: "Talvez porque minha casa não tenha garagem".

Quando uma plateia começava a se organizar ao redor do automóvel com direito a vendedor de algodão-doce e tudo, ouviu o filho gritar e isso a fez correr pra dentro de casa. Um fluxo de sangue saia de suas narinas. Das dele, não das dela.

Assustado, ele havia caído de nariz na escada. Maria Alice vestiu-se para uma importante reunião marcada na empresa que trabalhava e decidiu que pediria para sua irmã, que também era vizinha, que levasse o filho ao médico. Correu com o filho nos braços para o carro enquanto sua irmã já estava ali.

Maria Alice se lembrou no caminho que não pagava o convênio há quatro meses para economizar e poder comprar o carro. Ligou para a irmã e explicou o problema. Ouviu uns palavrões antes de desligar o celular.

Na Avenida Paulista, deparou-se com uma passeata. "Por que essas pessoas não vão fazer protesto num cartório?", pensou, enquanto se dava conta da mancha de sangue do nariz do filho em sua roupa.

Sem perceber, entrou na contramão e deu de frente com um carro da polícia. O policial contabilizou as infrações: andar na contramão; veículo inadequado para rodagem, falta do uso do cinto de segurança e falta de placas. Quando viu a mancha de sangue em sua roupa, mandou entrar na viatura. Explicados os detalhes para o delegado, mesmo assim o carro ficaria retido no pátio até o pagamento das multas.

A reunião já havia acabado quando Maria Alice chegou. A pauta era sobre o corte de funcionários. Felizmente nada aconteceu a ela. Aliás, nada mesmo. Continuou no mesmo setor.

Era o horário do almoço quando parou para fazer a primeira refeição do dia. Estava sozinha, quando uma voz penetrou em seus ouvidos: "Mazinha..."

Era o Néles, seu ex-marido, que trabalhava na mesma empresa. Disse que precisavam conversar, e ela aceitou. Afinal, seria a primeira vez que se falariam desde a separação há oito meses. Ele entrou em detalhes que Maria Alice ignorava: Traição! Foram oito vezes com dez mulheres diferentes. "Um deslize" segundo ele. Ela levantou-se e, quando estava indo embora com seu orgulho ferido, pisou em falso, quebrando o salto.

Voltando para sua mesa, um bilhete: "Venha à minha sala após o almoço". Seu chefe queria um relatório descrevendo qual era o seu papel na empresa. Deveria entregar no final do mesmo dia. Quando terminou, percebeu que uma unha quebrada.

Ligou para a irmã e tudo estava bem com o menino. Avisou que voltaria tarde por causa do relatório. E voltou... Principalmente porque, mesmo finalizando a tempo, seu chefe resolveu mandá-la embora.

Chovia quando chegou em casa. Foi até o quanto do filho que dormia. Achou estranho a irmã não estar ali caso o filho precisasse. Foi até seu quarto e... viu... a irmã e seu ex-marido na cama. Maria Alice ouviu não sabe de quem: "não é isso que você está pensando".

Consternada, Maria Alice era o retrato do trapo humano. Molhada, roupa ensanguentada, salto quebrado, unha também, cabelo desfeito e maquiagem semiborrada, sentou-se na cozinha e perguntou-se diversas vezes enquanto o "casal" se vestia:

- Por que isso está acontecendo? Por quê? Por quê?? POR QUÊ???

Com as mãos na cabeça, olhou para a folhinha grudada na geladeira e viu que dia era aquele: Treze... Sexta-feira 13.

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Distância

Temperamental

Indiferente

Quem é o colunista: Um ser humano com uma personalidade muito parecida com a do Pica-Pau.

O que faz: Sou ator, humorista, repórter e um representante Jequiti.

Pecado gastronômico:
Gosto de sorvete, sorvete também me atrai, às vezes sorvete e, pra variar, um milk-shake.

Melhor lugar do mundo: Sorveteria.

O que está ouvindo no carro, iPod, mp3: Pearl Jam, música clássica e Cavaleiros do Forró.

Fale com ele: Acesse seu blog ou siga seu Twitter.


 


 


 

Atualizado em 10 Abr 2012.

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