Guia da Semana

Loteria disfarçada

Mesmo com crescimento de 8%, aplicar em títulos de capitalização não é bom negócio, dizem especialistas

Foto: Getty Images


Toda vez que você vai ao banco seu gerente lhe oferece inúmeros produtos, dentre eles, um simples título de capitalização que promete, além de "investimento", sorteios de vários prêmios em dinheiro. Pois saiba que, apesar de ser legal e regulamentado pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), "esse tipo de papel não é bom negócio para quem pensa em investir", afirma Cristóvão Pereira, professor de finanças da Fundação Getúlio Vargas.

Mesmo com crescimento de 8% nos cinco primeiros meses de 2009, segundo a Federação Nacional de Capitalização (FenaCap), para Evanilda Rocha, consultora de finanças, os títulos não são considerados investimentos e sim uma modalidade de seguro. "Trata-se de um método desfavorável para o comprador, porque o valor total pago durante a vigência do plano, ao ser resgatado, representará menos do que se o valor tivesse sido investido na poupança, que é a modalidade de investimentos que menos rende", diz.

A compra de qualquer papel deve ser feita através de uma sociedade de capitalização, devidamente autorizada (geralmente bancos). Há dois tipos de títulos de capitalização: o PM, com pagamentos mensais e sucessivos e o PU, plano de pagamento único. Nos dois casos há um tempo de validade, que é igual ou maior que o período de pagamento, estabelecido por contrato, que gira em torno de 12 meses. As diferenças entre o título de capitalização e outras formas de investimento começam a aparecer na hora de retirar o dinheiro. Enquanto que na poupança é possível resgatar o valor total na hora que você quiser, o resgate dos títulos só pode ser feito no final do plano.

Outra diferença, e a que mais atrai compradores, são os sorteios e premiações. "A capitalização é extremamente popular no mercado brasileiro, sobretudo na população de baixa renda, pura e simplesmente por causa desses prêmios em dinheiro que podem chegar a R$ 100 mil", afirma a consultora. O que muita gente não sabe, é que do valor pago apenas uma parte é destinada à capitalização, sendo que a outra serve ao custeio dos sorteios e ao banco.

Uma pesquisa divulgada pela Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro Teste) afirmou que a cada R$ 1.000,00 aplicados, o comprador recebe, no final do plano, R$ 843,80, ou seja, 15,62% a menos do valor depositado. Com relação ao rendimento, o capital acumulado é atualizado monetariamente pela Taxa Referencial (TR), que é relativamente baixa nesse quesito. Pereira é categórico ao afirmar: "as pessoas são movidas por esperança, não fazem conta. Só que a chance de ganhar um sorteio como esses é menor do que as chances de ganhar na Loteria Federal. Esse tipo de aplicação é extremamente desleal e não tem nenhum sentido, já que se perde dinheiro ao invés de ganhar". 

Segundo Evanilda, o melhor destino para baixos valores, como os depositados nos títulos de capitalização, é a também popular caderneta de poupança. A principal vantagem é a rentabilidade. Se uma pessoa poupar R$ 1.000,00 durante o ano, valor do título, no final de 12 meses terá R$ 1.046,00, com rendimento de 4,6% ao ano."Apesar de não render muito, colocar o dinheiro na poupança é vantagem por não precisar pagar imposto de renda sobre o ganho e obter, ainda que pequena, certa rentabilidade sobre o tão suado dinheiro", diz Cristóvão.

Conheça as vantagens e as desvantagens de compar um título de capitalização

Arte: Fernando Kazuo


Atualizado em 10 Abr 2012.

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