Guia da Semana

Mulheres e finanças pessoais

O tema é o gancho para economista em seu livro; obra faz um raio-x de como as mulheres se comportam e agem diante de investimentos e finanças

Foto: Getty Images



Resolvi escrever o livro O que as mulheres querem saber sobre Finanças Pessoais,  graças a uma amiga que conhecia minhas incursões no campo da educação financeira e me chamou a atenção para este fato: não se podem ignorar as diferenças de perfil e consumo entre o público feminino e o masculino. Estudos apontam que as mulheres são mais conservadoras, cautelosas, pesquisam mais e são fiéis quando tomam uma decisão de investimento. Mas elas também se tornam mais arrojadas quando estão munidas de informação.

Ouvindo a sugestão e as dúvidas mais recorrentes das mulheres, fui direto ao que interessa: bolsa, poupança ou fundo de investimento? É melhor investir em previdência privada ou na compra de um bem? Vale a pena investir em ações? Quando é hora de trocar de banco e qual o real retorno dos investimentos? Respostas sem rodeios a essas e a outras perguntas, com muitas dicas e exemplos atuais.

Para garantir a autonomia nas decisões, explico as vantagens e desvantagens de cada forma de investimento e descrevo, passo a passo, o método para a escolha da melhor alternativa. O grande objetivo é transmitir a mensagem com clareza e esclarecer as dúvidas cotidianas como essa que consta no livro: "Eu e o meu marido temos um dinheiro aplicado. Você acha que vale a pena tirar uma parte para investir em ações?".

Se a bolsa estivesse caindo vertiginosamente provavelmente ninguém teria feito esta pergunta, mas ela é importante porque traz dois conceitos embutidos: o primeiro é o de diversificação; e o outro é de prazo de investimento. Começando pelo último, se o dinheiro aplicado tiver um destino de curto prazo, isto é, se o casal pretende utilizá-lo em aproximadamente um ano, não acredito que seja uma boa opção investir em ações.

Já no que se refere a diversificação, vou ser bastante "criativo" aqui: "nunca ponha todos os ovos na mesma cesta". Assim, quando o seu prazo de investimento for longo vale a pena diversificar, ou seja, aplicar em coisas diferentes, pois isso reduz o risco de algum dos seus investimentos render pouco ou apresentar prejuízo no período, podendo, dessa forma, ser compensado por outro.

Outra dúvida muito comum entre o público feminino é em relação ao financiamento imobiliário, assunto que nunca saiu da moda, mas agora não sai dos jornais. A ideia, mais uma vez é munir de informações para que a própria pessoa possa optar, por exemplo, entre usar o dinheiro para o financiamento da casa própria ou morar de aluguel e aplicar o recurso em fundo de renda fixa. Existem pequenos cuidados que podem gerar grandes diferenças no preço final da aquisição, tais como evitar, ao máximo, contratos que tenham seguros atrelados ao seu financiamento, e manter os olhos abertos para as tarifas cobradas.

Como elas também me perguntaram, quando se trata de refletir sobre o universo feminino, temas como gastos com beleza e compras impulsivas não poderiam ser deixados de lado. Para não exagerar ou ficar no vermelho, um dos segredos é elaborar um orçamento e adotar medidas de adaptação a ele. Que tal deixar a fidelidade ao salão atual e visitar outros estabelecimentos para comparar preços? Nem que seja apenas para tomar consciência e decidir com mais informação. De forma geral, aconselho a equilibrar a emoção e usar a razão na hora de comprar, principalmente de forma parcelada.

Incluí também um pequeno glossário. Fujo do "economês" para explicar, de maneira clara, termos do mundo financeiro, como ações, ativos, carteira, títulos públicos, multimercado, alavancagem, fundos referenciados, entre outros.

Se você nunca soube muito bem o que é um fundo de investimentos e qual a diferença entre um fundo DI e um renda fixa, esta é a oportunidade de aprender definitivamente. Aliás, na minha opinião, até mesmo melhor do que muitos homens que apenas ouviram o galo cantar...Por isso, aconselho esta leitura também a eles.Principalmente aqueles que acreditam que a taxa de administração dos fundos de investimentos só é calculada sobre os rendimentos. Uma crença comum, e errada, que ouço em diversas conversas com interlocutores do sexo masculino.

Quem é o colunista: Humberto Veiga.

O que faz: Doutor em economia, consultor, autor do livro "O que as mulheres querem saber sobre finanças pessoais" e do blog.

Melhor lugar do mundo: Rede à beira mar.

Pecado gastronômico: A comida que eu faço.

Fale com ele: duvidas.financas@bol.com.br



A Expo Money é um evento de Educação Financeira e de Investimentos, totalmente gratuito, voltado para todas as pessoas interessadas em aprender a administrar suas finanças. Em novembro, o evento estará no Rio de Janeiro (11 e 12). Aproveite e inscreva-se!



Atualizado em 26 Set 2011.

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