Guia da Semana

Na ponta do lápis

Compras em várias parcelas "sem juros" podem esconder taxas de até 48% ao ano. Segundo especialistas, a melhor opção ainda é pagar à vista

 

 

Compre o eletrodoméstico dos seus sonhos e pague em dez vezes sem juros. Foi esse anúncio que chamou a atenção da doméstica Cleusa Mello. Aproveitando a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), ela não pensou duas vezes e comprou o fogão que precisava. "O preço estava bom e a parcela coube no meu bolso", diz.

 

Assim como a doméstica, inúmeros brasileiros entram nas redes de varejo e optam pelo parcelamento "sem juros". Mas o que muita gente não sabe é que essa aquisição pode esconder uma surpresa: juro mensal de 3,3% e anual de 48%, segundo pesquisa divulgada pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio).

 

Um dos exemplos citados na pesquisa é de uma geladeira vendida à vista por R$ 971,10, ou em 12 meses de R$ 99,28. Nesse caso, se o consumidor optar pela compra parcelada, pagará R$ 1.191,36 - quase um quarto a mais do que o valor à vista. "Nenhuma loja é Papai Noel. A partir da segunda parcela de qualquer compra, o consumidor já paga juro embutido", alerta Fábio Pina, economista da Fecomércio.

 

Qual o segredo?

 

De acordo com Pedro Afonso Gomes, economista do Conselho Regional de Economia de São Paulo (Corecon), as empresas usam duas formas para embutir o juro no preço final do produto. Parte delas precisa do dinheiro total na hora da compra e pede auxílio ao banco, que cobra taxa de 2,5% ao mês. Outras, que já tem um certo capital de giro, cobra a taxa de aplicação de 0,8% ao mês, que é o juro que ela ganharia se o dinheiro estivesse aplicado.


"Por isso, o consumidor encontra o mesmo produto a preços tão diferentes", explica. Afirmação comprovada pela análise da Fecomércio, que encontrou diferença de até R$ 158,45 de uma loja para a outra no mesmo refrigerador. "O segredo de uma boa compra é a pesquisa. O brasileiro deve procurar o melhor preço à vista e o melhor preço a prazo para garantir o bom negócio", enfatiza Fábio Pina.

 

Prova dos nove

 

O Guia da Semana foi pesquisar o preço do fogão comprado pela doméstica Cleusa. O modelo - de quatro bocas da Eletrolux - nas principais lojas de varejo pela internet custa entre R$ 618,73 e R$ 729,00, uma diferença de R$ 110,70 no preço à vista. Já no valor a prazo, o mesmo fogão pode ter uma variação de R$ 267,57. De acordo com Gomes, na compra parcelada é preciso negociar os juros com a loja, porque quanto maior for a taxa, menor é a vantagem para o alongamento do prazo.

 

Em uma das lojas, encontramos o fogão por R$ 628,21 à vista, sem nenhum desconto. Ligamos para o estabelecimento e, depois de muita negociação, conseguimos um desconto de 4,7%. Ou seja, pagaríamos R$ 600,00 pelo mesmo produto que Cleusa pagou R$ 729,00 em 12 vezes "sem juros". Gomes explica que o desconto ainda é pouco. "Ao comprar à vista, o consumidor deve pedir, pelo menos, 1% de desconto para cada mês de parcela anunciado, ou seja, nesse caso seria 12%".

 

A melhor compra

 

"O brasileiro não faz conta de juros, e sim de parcela. Se o valor cabe no orçamento, ele compra, mas isso é completamente errado", afirma o economista do Corecon. Para ele, o melhor negócio ainda é poupar e comprar à vista. "Quando você já tem o valor em mãos, fica mais fácil negociar. A grande dica é pedir desconto", ressalta. Vale lembrar que, para pedir desconto, é necessário pagar no boleto bancário ou no cartão de débito.

 

De acordo com Pina, outra dica é comprar pela internet, pois no preço de loja vem acrescido a comissão do vendedor, o que encarece o produto. Nas lojas on-line, isso não acontece. Se você tiver alguma dúvida quanto ao produto, vá até o estabelecimento, examine-o e depois compre pela internet. Não se esqueça de verificar se é cobrado frete para entrega.



Foto: Getty Images

Atualizado em 6 Set 2011.

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