Guia da Semana

Sempre é tempo para programar!

Durante períodos de dificuldade e crise, a tendência é lamentar a situação da empresa, pessoal, do país e do mundo. Na verdade, a crise nos leva a buscar saídas e soluções para superar os desafios. Esse é o momento ideal de programar a sua vida

Foto: Getty Images


Como fazer isso? Quais os instrumentos a serem utilizados? Como evitar que a forte queda dos juros (visualizada recentemente) comprometa a rentabilidade futura? A palavra principal é planejamento. Nesse planejamento, sempre somos questionados sobre qual a forma mais eficaz e eficiente de aplicar os recursos poupados. O melhor é fazer uma poupança independente ou então partir diretamente para os planos de Previdência Complementar ( PGBL e VGBL)? A resposta é a mais comum quando se fala em investimentos: depende! Depende do perfil do investidor, dos objetivos, da educação financeira e do comportamento do indivíduo. Não há a melhor opção e sim aquela que se encaixa melhor a cada investidor.

Vale a pena observar as principais vantagens e desvantagens de se fazer uma poupança independente, sem optar pelos planos de previdência existentes. Quanto às principais VANTAGENS, podemos destacar:

1) A poupança independente nos permite uma maior flexibilidade, pois temos a possibilidade de alocar as parcelas mensais no momento ideal dos mercados. Por exemplo, como o investimento é de longo prazo, alocar em bolsa nos momentos de irracionalidade e forte queda; alocar em pré-fixado em momentos de stress da curva de juros (o ano de 2008 nos mostrou diversas oportunidades como essa). E, nesse contexto, será possível fazer um produto híbrido, com uma performance mais atrativa em virtude do momento de entrada nos diversos tipos de investimentos.

2) A carteira de investimentos de uma poupança independente geralmente apresenta um custo menor em relação aos planos, pois não há taxa de carregamento e taxa de saída como na maioria dos fundos PGBL e VGBL. Além disso, há a possibilidade de se conseguir uma taxa de administração menor do que nos PGBLs (fundos de renda fixa ou DI têm taxas de administração mais baixas para maior volume aplicado).

3) Diversificação. Há a possibilidade de compor o portfólio da aposentadoria com diversos produtos. Por exemplo: CRIs (Certificado de Recebível Imobiliário que geralmente paga uma taxa de juros real e líquida para pessoa física), CDBs de grandes bancos, títulos públicos ( LTN, NTN), debêntures, ações, fundos de renda fixa, DI, multimercados.

4) No tocante a tributação: IR menor do que no caso de PGBL (que cobra IR sobre o valor total no resgate enquanto nos fundos, CDBs, títulos públicos e nas ações o IR incide apenas sobre o rendimento do período).

Dentre as principais DESVANTAGENS de fazer uma poupança independente, podemos citar:

1) A principal desvantagem da poupança independente é a falta de disciplina e de programação. Se o seu perfil é esse, seu caminho é, sem dúvida, um plano de previdência (de preferência com opção de boleta de aporte mensal, uma forma de obrigar o investidor a poupar o recurso determinado para aquele mês). Qualquer desvio no momento de acumulação das reservas pode ser fatal para atingir o objetivo determinado na aposentadoria.

2) Fiscal: O PGBL tem o benefício fiscal de 12% sobre a renda bruta anual - redução de 12% da base de cálculo do IR ao aplicar esse percentual no PGBL.

3) Para fundos de renda fixa e multimercados, a outra desvantagem é a existência do come cotas (IR sobre o rendimento que ocorre nos meses de maio e de novembro). No caso dos PGBLs e VGBLs, não há a existência do come cotas.

4) Sucessão. Outra desvantagem da poupança independente é o fato do PGBL e VGBL não entrarem no inventário no momento da sucessão. Dessa forma, nos planos de previdência, há a possibilidade de fazer o planejamento sucessório de uma forma mais ágil e rápida, evitando transtornos aos beneficiários.

Em outras palavras, a opção pela forma de poupança a ser escolhida deve ser feita em função do perfil do investidor e do seu comportamento como poupador. Independente da maneira escolhida, o mais relevante é poupar e se planejar. Não importa se será feito da forma independente ou através do plano complementar. O essencial é se programar e se organizar para atingir o objetivo de uma aposentadoria tranquila e sem preocupações financeiras. A crise deve servir como um incentivo para uma mudança no seu comportamento financeiro. Sempre é tempo!

Quem é o colunista: Rodrigo Menon.

O que faz: Sócio da Beta Advisors (consultoria de investimentos). Formado em administração de empresas pela FGV, possui a certificação CFP (Certified of Financial Planner) e trabalha há 10 anos no mercado financeiro. www.betaadvisors.com.br.

Melhor lugar do mundo: Praia.

Pecado gastronômico: Churrasco.

Fale com ele: rodrigo@betaadvisors.com.br

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Atualizado em 6 Set 2011.

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