Guia da Semana
Arte
Por Redação Guia da Semana

Sinos de Alegria

Em tempos de magia no cinema, a colunista conta a experiência inusitada que teve no teatro.

Foto: Vinícius Campos


Dizem por aí que sinos imaginários tocam quando conhecemos pessoas especiais... Assim começa o conto Sinos Imaginários, presente na peça homônima, com autoria de Maíra Viana Barros, em cartaz em São Paulo. No dia dadaestreia de Harry Potter e o Enigma do Príncipe troquei o cinema pelo teatro, mas não consegui fugir da magia que nos remete a um universo surreal e encantador.

Antes de conferir o espetáculo, conheci Maíra, uma menina doce que deixa escapar um sorriso de soslaio quando fica tímida. Além de dramaturga, ela também é escritora, roteirista e compositora. Encontrei a loira por meio da trupe O Teatro Mágico, o qual acompanho há certo tempo, e fiquei curiosa ao saber que a até então produtora cultural do grupo decidiu dramatizar os textos do livro O Teatro Mágico em Palavras, obra que comprei em uma barraquinha no show da banda.

Sinos Imaginários conta a história de Clariana, uma jovem escritora que vive em uma misantropia inerte em seu apartamento. Paralisada pelo medo, ela foge das tarefas, dos prazos para entregar seu livro, dos amigos e do namorado. A história da personagem só começa a mudar quando seus personagens ganham vida e lhe revelam a beleza interior que a escritora insiste em esconder. 
 
Em um cenário simples e lúdico, entre um sofá, uma mesinha e um balanço, um varal corta o palco abrigando as lembranças de Clariana. Entre os penduricalhos, há discos dos Secos e Molhados e do Pink Floyd, roupas, textos, sapatos, caixinha de música e o final feliz que todo mundo quer para sua história de vida. 

Durante uma hora de espetáculo, a peça conta não só a história de Clariana, (e por que não dizer a de Maíra Viana?), mas também a da minha vida, da sua e a de muita gente que, de alguma maneira, acaba enterrando os sonhos mais coloridos, cada vez mais, nas tarefas sem graça do dia a dia.

A peça traz um alerta e os sinos são, na verdade, sirenes que surgem para resgatar a essência de cada um de nós, rasgando as máscaras e as desculpas esfarrapadas que usamos como muleta para fugir do mais importante: nossos sonhos. O varal nos convida a pendurar nossos sorrisos mais doces, a estender nossas vontades mais inocentes e a recolher aquelas fantasias secretas guardadas dentro da gente. 

Acredito que estes sinos são os que compõem a trilha sonora das epifanias que nos surpreendem em nossas descobertas. É o som daquele sorriso que escapa quando alguém lê nosso pensamento e fala justamente aquilo que estava engasgado no peito e que não conseguíamos traduzir.

Acho o fato de ir ao teatro, assim como ir ao cinema, quase um ritual, no qual nos preparamos para escapar da dura realidade e receber algo novo, totalmente fora do comum, para poder aplicar em nossa vida. A impressão que um espetáculo deixa para cada um é singular e diferente, e eu adoro reparar na reação daqueles que me acompanham ao deixar a sala do teatro. 

Ao sair de Sinos Imaginários, ouvi um senhor comentar para uma mulher, possivelmente sua esposa: "Não fale nada agora, acabei de viver um momento mágico". Aquela frase ecoou em mim e estou vivendo em algum lugar paralelo a este mundo até agora, ao escrever este texto. Se eu estou ouvindo sininhos, não sei dizer. Mas este foi o carimbo que o tilintar imaginário deixou em mim. A peça fica em cartaz até 26 de agosto, no Teatro Coletivo Fábrica. Se você também deseja ter uma experiência inusitada, forte e ao mesmo tempo repleta de sutilezas, experimente. Eu já contei o que ela fez comigo, depois me conte o que ela fez com você!

Quem é a colunista: curiosa. Adora conhecer gente e é apaixonada por cultura.

O que faz: é jornalista.

Pecado gastronômico: chocolate.

Melhor lugar do mundo: qualquer um que reúna boa música, meus amores e meus amigos.

Fale com ela: [email protected] ou acesse seu twitter. Concorra também a ingressos para o espetáculo.

Atualizado em 6 Set 2011.

Mais notícias

Google Arts & Culture disponibiliza tour virtual e coleções digitais do acervo do Museu Nacional

Arte

Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro disponibiliza online seu acervo de pintura com mais de 400 itens

Arte

B3 cede obras de grandes nomes do movimento modernista ao MASP

Arte

Inhotim lança duas novas exposições virtuais no Google Arts & Culture

Arte

Google Arts&Culture disponibiliza obras do artista plástico e militante político Antonio Benetazzo; saiba mais!

Arte

Agora você pode visitar a exposição dos 20 anos de Harry Potter em uma plataforma online do Google; saiba mais!

Arte