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Cinema
Por Redação Guia da Semana

Cinema feito à mão

Com as tecnologias de produção e visibilidade proporcionadas pela internet, cresce o número de filmes de baixo orçamento no mercado nacional.

Foto: Divulgação


Mesmo que de forma questionável e pouco sólida, o conceito de cinema de baixo orçamento está em voga. Vencedor do último Oscar, Guerra ao Terror foi produzido com US$ 11 milhões, valor considerado baixo para os padrões do circuito onde foi exibido. Atividade Paranormal, que chamou a atenção da crítica no fim do ano passado, teve um gasto escancaradamente menor, de US$ 15 mil. As cifras mostram que esse conceito é relativo e está intrinsecamente ligado ao universo ao qual a obra pertence.

No entanto, quando um filme é feito com R$ 250,00 não há o que discutir ou analisar. O orçamento é baixo mesmo. Baixíssimo. E esse é o caso de Entrei em Pânico ao Saber o que Vocês Fizeram na Sexta-Feira 13 do Verão Passado (foto). Dirigido pelo gaúcho Felipe Guerra, o título faz referência a obras icônicas do gênero terror estadunidense e foi exibido em abril passado na segunda edição do festival Cinema de Borda, promovido pelo Itaú Cultural. O evento, por si só, já é um sinal de que o espaço dedicado a esse tipo de produção está crescendo.

Foto: Divulgação

Cena de O Monstro Legume do Espaço

Entre os nomes que se destacam nesse cenário está o de Petter Baiestorf, autor de obras como O Monstro Legume do Espaço, Sacanagens Bestiais dos Arcanjos Fálicos e sua mais recente produção, Ninguém Deve Morrer. A filmografia do diretor conta com mais de 100 títulos. Se somados, o valor total não chega nem perto do orçamento de uma obra considerada de baixo orçamento no cinema convencional.

Uma da marcas registradas desses filmes feitos com poucos recursos é a produção tosca. Eles geralmente são rodados em locações como a casa dos próprios participantes, não têm iluminação artificial e o som é captado diretamente pelo microfone das câmeras, fatores que lhes confere uma estética bastante peculiar. Além disso, na maioria das vezes os atores não são profissionais e, em muitos casos, nem amadores; são amigos e parentes dos diretores. O gênero horror costuma ser predominante, seguido do sexo e do humor escrachado.

Apesar da precariedade da produção, esse estilo traz consigo fragmentos preciosos acerca da cultura do país. Do sotaque dos atores até as lendas, o imaginário e os modos de vida das diversas regiões brasileiras vem à tona nessas obras.

Foto: Divulgação

Cena de O Assassinato da Mulher Mental

Outro nome que começa a despontar é o do paulistano Joel Caetano. Com mais de dez filmes realizados, ele, sua mulher e um amigo montaram a Recurso Zero Produções, que já realizou obras como Junho Sangrento e O Assassinato da Mulher Mental. Um de seus trabalhos, Gato, que teve orçamento de R$ 600 e foi exibido no festival Cinema de Borda. As influências do diretor vão do cinema de terror às histórias em quadrinhos.

Rodrigo Aragão, Semi Salomão e Liz Vamp Marins - filha de José Mojica Marins, o Zé do Caixão -, são outros nomes de realizadores de filmes de baixo orçamento da atualidade.

Mesmo não formando um movimento, como o foi o Cinema Novo, esses filmes compõem um fenômeno que merece atenção. O YouTube talvez seja o principal canal de escoamento dessas produções, que tiveram sua realização e divulgação facilitadas por conta do advento da internet e das câmeras digitais. Gostando ou não, as películas de baixo orçamento são um sinal da democratização trazida pela web que possibilita o surgimento de novos criadores e de um novo público.



Atualizado em 6 Set 2011.

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