Guia da Semana

Com roteiro denso, "Uma Dose Violenta de Qualquer Coisa" denuncia a apatia da sociedade

Road movie, noir e cinema marginal unem-se no segundo longa de Gustavo Galvão.

Um homem caminha por um estrada ensolarada em algum lugar distante do Brasil. É possível sentir o calor do sol atravessar a tela. Após os créditos iniciais, o título "Uma Dose Violenta de Qualquer Coisa" anuncia o que nos espera nos próximos 96 minutos de longa. O segundo filme do diretor candango Gustavo Galvão chega aos cinemas na próxima quinta, 14, após passar com louvor em festivais como Brasília, Tiradentes e a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Elementos do road movie, do Noir francês e do Cinema Marginal brasileiro misturam-se e, como em um denso mosaico das relações humanas, mostram-se mais do que um filme, e sim, um verdadeiro manifesto da contra-cultura.

Sem pressa, conhecemos a história de Pedro: poeta frustrado, jornalista, divorciado. Fugiu de casa, pegou o carro e não faz ideia de onde ir. Uma coisa é certa: esse lugar é longe de Brasília e da vida que deixou por lá. No caminho, conhece Lucas, figura enigmática e subversiva com quem passa a dividir suas aventuras na estrada. Em meio ao tráfico, ao crime e à prostituição percebem ter mais em comum do que os mais de 30 anos que dividem. A vontade de fugir e de se desligar do mundo os unem, cada um a sua maneira, criando a improvável ciclo da relação entre os dois.  

Com "Nove Crônicas para um Coração aos Berros", em 2012, Gustavo Galvão estreou nas telonas. Sua experiência como diretor, entretanto, vem de antes. Curtas como "A Vida ao Lado" e "A Minha Maneira de Estar Sozinho" não são tão diferentes do que vimos em "Uma Dose Violenta de Qualquer Coisa" e tampouco do que vivemos diariamente: as trapaças da vida, as relações conturbadas e , por fim, o grito sufocado de "eu não aguento mais”.

E se, como road movie qualquer, você espera um destino cujas angústias são superadas, o filme de Galvão, assim como a vida, não termina assim. As respostas buscadas não são encontradas e percebemos que a máscara do marginal liberto esconde um sujeito comum e perdido em si. Desprovido de uma conclusão propriamente dita, "Uma Dose Violenta de Qualquer Coisa" tenta, entretanto, nos mostrar saídas. A estrada é uma delas. O cinema também. 

ASSISTA SE VOCÊ:

- Gosta de road movies
- Procura um filme denso e violento 
- Aprecia cinema brasileiro independente

NÃO ASSISTA SE VOCÊ:

- Não gosta de road movies 
- Procura um filme mais leve
- Prefere lançamentos comerciais 

Atualizado em 4 Ago 2014.

Por Ricardo Archilha
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