Guia da Semana

Como era verde meu planeta

Depois do aviso de Al Gore, indústria do cinema ataca com filmes ecologicamente engajados

DiCaprio durante as filmagens do documentário ambiental A Última Hora.

Desde o começo da década de 90, principalmente com o Eco-92, no Rio de Janeiro, o mundo se preocupa com os problemas do aquecimento global e do futuro do planeta. Apenas os EUA, que não assinaram o Protocolo de Kyoto em 1998 - que tenta reverter esta situação -, pareciam não ligar para estes problemas. Até agora. Bastou o ex-vice-presidente Al Gore realizar Uma Verdade Inconveniente, que isto parece ter mudado. Para ratificar a era dos "filmes verdes", ou "ecothrillers", até mesmo o Oscar de 2007 foi ecologicamente correto.

A cerimônia, que premiou o documentário de Gore, tentou ao máximo reduzir os efeitos contra o planeta, usando materiais e empresas com responsabilidade ecológica e, até mesmo, limusines híbridas. Não apenas o político se destacou na cerimônia, mas também o ator Leonardo DiCaprio, que lança agora o seu próprio documentário contra o aquecimento global, A Última Hora. Ao contrário da palestra do filme de Gore, o do astro entrevista inúmeros especialistas que alertam para o perigo de não se tomar uma atitude imediata.

Mas não é de hoje que o cinema tenta ajudar a salvar o planeta. Um dos exemplos mais marcantes foi Erin Brockovich (foto), o filme que deu o Oscar a Julia Roberts. Em uma história real, a personagem-título alertava a todos sobre o risco de contaminação por uma empresa de gás. E não é só Erin que se preocupa com os problemas ambientais. Julia é conhecida como uma das celebridades mais engajadas nesta luta, que não se limita aos discursos. A atriz tem uma casa sustentável e um carro híbrido. Tudo para minimizar os danos contra a Terra.

Depois do documentário de Gore, uma série de filmes e projetos começaram a ser feitos com este tema. Até mesmo Os Simpsons, que nunca haviam ido para a tela grande tiveram uma obra que, da forma deles, tenta alertar a população sobre os riscos dos danos ao meio ambiente. Esta moda de "filmes verdes" talvez tenha sido uma das coisas que chamou a atenção no coreano O Hospedeiro. Não tão sério, assim como a família de Springfield, o longa mostra como o lixo pode trazer conseqüências drásticas, no caso um monstro terrível. Claro, em ambos os casos, a culpa é dos EUA.

Há também ficções mais sérias nesta onda dos ecothrillers. A irresponsabilidade ecológica é pano de fundo do elogiado Conduta de Risco (foto), com George Clooney. Nele, uma empresa agriquímica expõe uma população a ameaças de câncer, em troca de maior lucro. Mesmo o secreto Avatar, primeiro longa de James Cameron depois de Titanic, parece ser um filme verde. Pouco se sabe sobre a trama, em que um soldado paralítico encontra vida em outro planeta, mas tudo indica que ele sai da Terra depois dos humanos destruírem sua biodiversidade, mas não é bem recebido pelos vizinhos.

Mais explícito é o indiano M. Night Shyamalan, de Sexto Sentido. Em sua nova obra, The Happening, é a própria Terra que decide se voltar contra a humanidade. Depois de sofrer com o descaso, o planeta ameaça a todos com uma série de eventos, tentando extinguir a raça humana de vez. Mark Wahlberg é um pai que tenta livra sua família dos cataclismos, permanecendo vivos. Dentre as vinganças da Terra, está um vírus que faz com que as pessoas se suicidem sem qualquer motivo.

E nem mesmo o Brasil fica fora da nova moda. Portador da maior floresta tropical do mundo, o país é cenário da refilmagem de O Monstro da Lagoa Negra (foto), de 1954. Na nova versão, que deve ser lançada em 2008, uma multinacional despeja lixo tóxico nas águas da Amazônia, o que cria o terrível anfíbio gigante. Mas não é só na ficção que o país está presente. José Padilha, de Tropa de Elite, e Marcos Prado, de Estamira, dirigiram documentários falando sobre os malefícios do descaso com a natureza. Os dois curtas, junto com mais 48, foram exibidos durante o Live Earth, em todo o mundo.

Seja em documentário ou ficção, curta ou longa, terror, comédia, drama ou ficção científica, o certo é que a indústria do cinema parece mesmo ter descoberto um novo filão. Com campanhas de marketing ecologicamente corretas e filmes que abusam de mensagens para conscientizar a população, estes ecothrillers parecem ter conquistado um importante espaço nas telas. Só nos resta saber se todo este alarde ecológico dos executivos de cinema vai ficar apenas dentro dos filmes ou não.

Atualizado em 6 Set 2011.

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