Guia da Semana

Conflito entre pai e filho guia “Vazio Coração”

Murilo Rosa vive cantor órfão de mãe em longa de estreia de Alberto Araújo.

Estreia nesta sexta-feira o primeiro longa-metragem do goiano Alberto Araújo, “Vazio Coração”. Poeta nas horas vagas, é o próprio diretor que assina os versos que conduzem o conflito entre um homem recentemente viúvo (Othon Bastos) e seu filho bem sucedido como cantor popular (Murilo Rosa).  

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Rosa, que surpreendeu os fãs ao soltar a voz já no trailer do filme, mostra segurança: alterna agudos a plenos pulmões com sussurros sinceros e quase desafinados, quando a cena pede. Desde os primeiros segundos, fica claro que a música será o condutor do drama – é ela que dá credibilidade a diálogos encenados de forma bastante didática diante das câmeras ainda imprecisas do cineasta estreante.

A trama passa por São Paulo, Brasília, Uberlândia e Araxá, onde se estabelece num hotel colonial, marcante tanto nas cenas internas quanto externas. Esses cenários – urbanos, rurais, históricos e de interior -  dão ao longa uma forte identidade brasileira, de um Centro-Oeste de fala enrolada (um pouco excessivamente), comida quentinha e abraços de avó. Há uma nostalgia boa que se mistura ao calor do show-biz paulistano e que dá o tom ao conjunto.

Murilo Rosa em cena de Vazio Coração

O esforço de Hugo (Rosa) para reatar os laços com o pai Mário (Bastos), convidando-o a passar uma semana num hotel onde costumavam ir quando era criança, soa genuíno, assim como as dificuldades que encontra. Quem nunca teve um parente mais ranzinza, daqueles que destilam palavras amargas e críticas negativas como se fossem donos da verdade?

Se a relação pai-filho ecoa sentimentos verdadeiros, sua construção na tela, contudo, beira a caricatura: há lágrimas demais, silêncios demais e, principalmente, palavras demais. Os excessos são compreensíveis: é nas palavras que a briga de gato-e-rato encontra suas maiores diferenças e, também, sua chance de reconciliação. Um é poeta; o outro músico. Um é erudito; o outro popular. Mas nem era preciso dizer tanto: às vezes, bastava um olhar,  um acorde do violão. O público se encarregaria do resto.

 

Atualizado em 21 Nov 2013.

Por Juliana Varella
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