Guia da Semana

Crítica: “A Dama Dourada” conta a história da herdeira do quadro mais famoso de Klimt

Filme traz uma perspectiva atual para a polêmica das obras de arte roubadas pelos nazistas

Uma biografia bem feita não conta apenas a história de uma pessoa, mas revela os segredos de uma época e levanta questões para as gerações seguintes. É por isso que “A Dama Dourada” consegue deixar sua marca, mesmo narrando um episódio tão específico da História da Arte: o processo de restituição do quadro de Adèle Bloch-Bauer por Maria Altmann.

Helen Mirren interpreta Altmann com a gravidade necessária a uma personagem que sobreviveu ao Holocausto, mas precisou, para isso, romper com suas raízes austríacas e se mudar para os Estados Unidos. É para se reconectar com esse passado que ela decide reaver o retrato de sua tia Adèle, pintado por Gustav Klimt anos antes da chegada do exército nazista a Viena.

A situação é delicada porque o quadro, a essa altura, já se tornara um patrimônio nacional e era a peça de maior orgulho do museu Belvedere, em Viena. Além disso, Adèle, que morrera antes do início da guerra, deixara a obra em testamento para o museu, sem imaginar que o quadro seria apropriado pelo regime nazista enquanto sua família judia era perseguida e assassinada.

Quem assume o caso é o advogado Randy Schoenberg (Ryan Reynolds), neto de um famoso compositor e filho de uma grande amiga de Maria, outra fugitiva da guerra. Hesitante no início, ele começa a se envolver e se reconectar com as próprias origens enquanto pesquisa as de sua cliente. A relevância da História, até então ignorada e inclusive repudiada por ele (constantemente cobrado por seu sobrenome ilustre), vai se construindo diante de seus olhos, na forma de lágrimas reprimidas.

“A Dama Dourada” é uma obra obrigatória para quem gosta de arte, História e direito. Não parece haver uma resposta certa sobre quem deveria ficar com o quadro, mas o drama é real e muito atual. Certos elementos do passado, fica claro, ainda têm um peso enorme no presente e têm sido varridos para debaixo do tapete sob a desculpa de que “não fomos nós que erramos”. Independente de nossas opiniões, porém, discutir é essencial e conhecer uma história como esta ajuda a repensar.

Atualizado em 14 Ago 2015.

Por Juliana Varella
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