Guia da Semana
Cinema
Por Juliana Varella

Crítica: “A Era do Gelo: O Big Bang” mostra cansaço da franquia após 14 anos

Quinto filme da série estreia no dia 7 de julho nos cinemas.

Elenco principal aumentou consideravelmente desde o primeiro filme, em 2002 (Divulgação)

Mais um filme da franquia “A Era do Gelo” chega aos cinemas no dia 7 de julho. Se você já perdeu a conta de quantos foram lançados, não se preocupe – nós também. Mas este é o quinto longa da série e, depois de caminharem com um bebê humano, fugirem do degelo, encontrarem dinossauros e enfrentarem piratas, é hora de Sid, Manny e Diego encararem um asteroide e salvarem a Terra da extinção, enquanto o esquilo Squat caça sua noz no espaço.

Depois de 14 anos, “A Era do Gelo: O Big Bang” pode encontrar dificuldades para cativar o velho público, cansado de tantas jornadas épicas e sobrecarregado com todos os coadjuvantes que foram sendo acumulados ao longo dos anos. Para quem adentra esse universo pela primeira vez, porém, talvez o efeito ainda seja positivo.

O filme traz de volta a doninha sabe-tudo Buck, do terceiro episódio, e coloca como vilões secundários um trio de dinossauros voadores (não tão engraçados quanto deveriam). Num esforço para agradar aos adultos, há muitas referências psicodélicas dos anos 70 (pense em cristais magnéticos e uma comunidade mística-hippie) e uma sub-trama dramática de um pai (Manny) que teme perder a filha para o novo marido.

Tudo soa um pouco exagerado e fora de lugar, mas o que realmente incomoda é a repetição. Já vimos uma lhama-guru (ou algo parecido com isso) recentemente em “Zootopia” e ter o planeta destruído por uma pedra espacial não é exatamente novidade. O mesmo vale para a velha guerra psicológica entre genro e sogro e para os rivais que precisam trabalhar juntos para salvar o dia.

Há, por outro lado, uma questão educativa que faz de “A Era do Gelo 5” um filme interessante para crianças. Para impedir a destruição, os protagonistas usam alguns conceitos de física e matemática que podem estimular a curiosidade dos pequenos: fala-se de atração entre ímãs, eletricidade estática e tangente, por exemplo.

No campo da geografia, entretanto, o título em português pode causar confusão: obviamente, o fenômeno que vemos na tela não é o Big Bang (este teria vindo antes da formação da própria Terra), mas apenas uma colisão acidental com uma pedra gigante, o que fica mais claro na versão original, chamada “collision course” – ou “rota de colisão”. É claro que precisão histórica nunca foi o forte da franquia, mas este é um detalhe que poderia ter sido evitado.

“A Era do Gelo: O Big Bang” pode ser uma opção para entreter as crianças nestas férias, mas não será um filme tão marcante para elas, nem será tão divertido para os pais que as acompanharem. Se a série já mostrava cansaço há alguns anos, talvez este seja o mais fraco de seus títulos até agora.


Por Juliana Varella

Atualizado em 7 Jul 2016.

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