Guia da Semana
Cinema
Por Juliana Varella

Crítica: “Aliança do Crime” traz Johnny Depp no papel mais sinistro de sua carreira

Filme estreia no dia 12 de novembro, após passar pela Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

Johnny Depp interpreta um chefão do crime em Boston chamado James "Whitey" Bulger (Divulgação)

Filmes de gângster nunca fogem muito do padrão: um líder paternalista resolve todos os seus problemas (e dos “apadrinhados”) na base da violência, enquanto mantém uma relação suficientemente próxima com a polícia para que ela não prejudique “os negócios”. “Aliança do Crime” é assim, mas ao mesmo tempo não é. É algo diferente.

Johnny Depp, saindo completamente de sua zona de conforto, interpreta James “Whitey” Bulger, um criminoso do sul de Boston que, aos poucos, consegue assumir o controle de toda a cidade com a ajuda do F.B.I.. A parceria se dá por intermédio de John Connoly (Joel Edgerton), um agente que cresceu na mesma vizinhança de Bulger e que o tem como herói de infância.

Bulger não é, entretanto, aquela figura carismática que se espera de um chefão do crime: ele é um psicopata, e todos sabem disso, mas é um psicopata esperto. É impossível dizer “não” a ele, pois isso provavelmente significaria sua morte. Aliás, este é um dos assassinos mais intolerantes que já vimos nos cinemas: bastou fazer uma piada de mal gosto ou responder com as palavras erradas, e você já era.

O filme sabe que seu protagonista não é alguém com quem o público irá se identificar, por isso, adota o ponto de vista dos seus colaboradores mais fiéis: Connoly, Kevin Weeks (Jesse Plemons), Steve Flemmi (Rory Cochrane) e John Martorano (W. Earl Brown). O resultado é que o espectador consegue sentir o medo que a simples presença do gângster provoca, ao invés de forçar uma empatia com o vilão.

Há duas cenas inesquecíveis, que ajudam a formar a personalidade de Bulger e criar a tensão: na primeira, ele ensina seu filho que bater no colega na escola não é errado – errado é ser visto fazendo isso. “Se ninguém viu, não aconteceu”, professa. Na segunda, ele sobe para conversar com a esposa de Connoly, que se trancara no quarto durante um jantar entre os amigos. O que esperar de uma invasão de privacidade tão descarada? Que reação deveria ter o policial? Quanto a nós, apenas observamos, esperando o pior.

Depp acerta no tom, sem se tornar irreconhecível no papel – é possível perceber sua excentricidade transparecendo em algumas cenas, mas nunca tão solta e efusiva quanto nos seus papéis mais famosos. Aqui, ele está soturno e cheio de ódio. Por outro lado, não se vê uma evolução muito grande no seu personagem: apesar de ser anunciado que ele “teria se transformado” após algumas tragédias pessoais, isso não fica tão claro no filme. O Bulger que vemos no início é o mesmo do fim.

“Aliança do Crime” ainda conta com Benedict Cumberbatch no papel do irmão de Bulger (um personagem bem interessante, diga-se de passagem), Kevin Bacon como o chefe de Connely no F.B.I. e Dakota Johnson como esposa do criminoso. O filme estreia nos cinemas no dia 12 de novembro e é uma pedida obrigatória para quem gosta de histórias de máfia, crimes e corrupção policial, mas procura uma abordagem diferente, mais intimista e intimidante.


Por Juliana Varella

Atualizado em 15 Nov 2015.

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