Guia da Semana

Crítica: divertido e inteligente, “Zootopia” traz uma grande lição sobre diversidade

Animação chega aos cinemas no dia 17 de março

Os estúdios de animação parecem ter finalmente entendido que filmes infantis precisam ter mais responsabilidade do que a maioria. Não num sentido didático-chato, é claro, mas é certo que um filme marcante, bem feito e divertido, é capaz de formar a visão de uma criança sobre questões essenciais como a diversidade e o preconceito – e, quem sabe assim, ajudar a mudar um pouquinho o mundo.

Zootopia”, novo filme-família da Walt Disney, acerta em cheio. Lúdico, colorido, com uma aventura empolgante e muitas referências atuais, o longa aborda o problema do preconceito de forma inteligente, mostrando-o na prática ao invés de reduzi-lo ao discurso.

A protagonista é Judy Hopps, a primeira policial coelha de Zootopia. Depois de enfrentar a descrença de todos, ela conseguiu se formar na Academia e agora vive seu primeiro dia de trabalho... Como guarda de trânsito. Irritada com a falta de confiança do chefe, ela assume sozinha um caso de desaparecimento e faz um acordo: se não resolver o mistério em 48 horas, ela entregará seu distintivo.

A história de Hopps, a princípio, soa bastante familiar e não foge muito dos dramas convencionais de heróis que “provam seu valor e quebram paradigmas”. Mas “Zootopia” vai muito além. Depois de provar que pode ser uma policial coelha, Hopps ainda terá que encarar de frente seu próprio preconceito e tentar combater o medo de toda a sociedade contra um tipo específico de animal: os predadores.

A grande sacada do filme não é a lição que ele traz, mas sim a forma como ele a traz, mostrando que o preconceito está enraizado e se expressa das formas mais sutis – que, muitas vezes, nem percebemos. O parceiro de Judy, por exemplo, é uma raposa, mas ela se refere a ele como sendo “diferente”. Então todas as raposas seriam ruins, exceto ele?

A forma como os animais são retratados facilita essa “primeira impressão”, levando o público a pensar como ela e a se perceber igualmente preconceituoso: a raposa é apresentada primeiramente como um malandro, os preguiças são lentos, o búfalo é bruto, o leão é traiçoeiro... Todos estereótipos que, em um momento ou outro, serão quebrados.

Além de explorar as relações entre os animais, “Zootopia” mergulha na arquitetura e mostra como a cidade pode unir ou separar seus moradores. No centro, Zootopia é plural: há portas de todos os tamanhos para diferentes espécies, tipos de transportes adequados a cada animal, adaptações nos quiosques para atender a clientes variados, etc. Já na periferia, cada bairro é especificamente desenhado como um habitat específico: um é congelado, o outro é uma floresta tropical, outro é todo em miniatura... O que isso não diz sobre as nossas cidades?

“Zootopia” chega aos cinemas no dia 17 de março e reserva surpresas para agradar aos adultos, tanto quanto às crianças. Leve seus filhos ou vá curtir essa aventura sozinho. 

 

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Gostou? Veja todos os vídeos: youtube.com/julianavarellaonline

Atualizado em 15 Mar 2016.

Por Juliana Varella
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