Guia da Semana
Cinema
Por Juliana Varella

Crítica: divertido e inteligente, “Zootopia” traz uma grande lição sobre diversidade

Animação chega aos cinemas no dia 17 de março.

A coelha Judy Hopps é dublada, na versão brasileira, por Monica Iozzi (Divulgação)

Os estúdios de animação parecem ter finalmente entendido que filmes infantis precisam ter mais responsabilidade do que a maioria. Não num sentido didático-chato, é claro, mas é certo que um filme marcante, bem feito e divertido, é capaz de formar a visão de uma criança sobre questões essenciais como a diversidade e o preconceito – e, quem sabe assim, ajudar a mudar um pouquinho o mundo.

Zootopia”, novo filme-família da Walt Disney, acerta em cheio. Lúdico, colorido, com uma aventura empolgante e muitas referências atuais, o longa aborda o problema do preconceito de forma inteligente, mostrando-o na prática ao invés de reduzi-lo ao discurso.

A protagonista é Judy Hopps, a primeira policial coelha de Zootopia. Depois de enfrentar a descrença de todos, ela conseguiu se formar na Academia e agora vive seu primeiro dia de trabalho... Como guarda de trânsito. Irritada com a falta de confiança do chefe, ela assume sozinha um caso de desaparecimento e faz um acordo: se não resolver o mistério em 48 horas, ela entregará seu distintivo.

A história de Hopps, a princípio, soa bastante familiar e não foge muito dos dramas convencionais de heróis que “provam seu valor e quebram paradigmas”. Mas “Zootopia” vai muito além. Depois de provar que pode ser uma policial coelha, Hopps ainda terá que encarar de frente seu próprio preconceito e tentar combater o medo de toda a sociedade contra um tipo específico de animal: os predadores.

A grande sacada do filme não é a lição que ele traz, mas sim a forma como ele a traz, mostrando que o preconceito está enraizado e se expressa das formas mais sutis – que, muitas vezes, nem percebemos. O parceiro de Judy, por exemplo, é uma raposa, mas ela se refere a ele como sendo “diferente”. Então todas as raposas seriam ruins, exceto ele?

A forma como os animais são retratados facilita essa “primeira impressão”, levando o público a pensar como ela e a se perceber igualmente preconceituoso: a raposa é apresentada primeiramente como um malandro, os preguiças são lentos, o búfalo é bruto, o leão é traiçoeiro... Todos estereótipos que, em um momento ou outro, serão quebrados.

Além de explorar as relações entre os animais, “Zootopia” mergulha na arquitetura e mostra como a cidade pode unir ou separar seus moradores. No centro, Zootopia é plural: há portas de todos os tamanhos para diferentes espécies, tipos de transportes adequados a cada animal, adaptações nos quiosques para atender a clientes variados, etc. Já na periferia, cada bairro é especificamente desenhado como um habitat específico: um é congelado, o outro é uma floresta tropical, outro é todo em miniatura... O que isso não diz sobre as nossas cidades?

“Zootopia” chega aos cinemas no dia 17 de março e reserva surpresas para agradar aos adultos, tanto quanto às crianças. Leve seus filhos ou vá curtir essa aventura sozinho. 

 

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Por Juliana Varella

Atualizado em 15 Mar 2016.

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