Guia da Semana
Cinema
Por Juliana Varella

Crítica: Dolorosamente sem graça, “Ted 2” mostra que a mesma piada nem sempre funciona duas vezes

Filme recorre à cartilha de gracinhas pseudo-provocativas que fizeram a fama de Seth MacFarlane.

Ted e Tami-Lynn querem adotar uma criança, mas não podem porque ele não é considerado uma pessoa (Divulgação)

Quando o ursinho Ted apareceu pela primeira vez nos cinemas, fumando maconha e falando palavrão, o público até achou engraçadinho. O enredo, sobre o dono do urso que precisava se desapegar do amigo de infância para amadurecer, também não era ruim e muita gente conseguiu se divertir. O problema é que a mesma piada, contada duas vezes, não tem mais o mesmo efeito.

Ted 2” traz de volta Ted (Seth MacFarlane), agora já casado com Tami-Lynn (Jessica Barth), pensando em adotar uma criança para salvar o relacionamento em crise. Quando o casal dá início ao processo, porém, uma questão legal vem à tona: perante a lei, Ted não pode ser considerado uma pessoa. A partir daí, Ted, Tami, John (Mark Wahlberg) e a jovem advogada Sam (Amanda Seyfried) iniciam uma batalha judicial contra o Estado para recuperar os direitos do urso.

O problema não é apenas a história cheia de buracos (a crise conjugal, por exemplo, se resolve de uma hora para a outra), mas o humor do diretor e roteirista MacFarlane. Como em seus outros trabalhos, “Ted 2” repete os mesmos temas de sempre: maconha, objetos fálicos, negros e mulheres que parecem doces mas são tão lesadas quanto seus colegas masculinos. Fica difícil rir quando já se sabe exatamente o que está por vir – e não são poucos os momentos em que a piada é recebida com um silêncio constrangedor da plateia.

A comédia ainda tem outros problemas pontuais: a sequência de abertura, por exemplo, não dialoga em nada com o restante do filme. Como uma referência genérica a Hollywood, Ted protagoniza um foxtrot com dançarinos em roupas de gala, lembrando os maçantes números musicais das cerimônias do Oscar e ainda trazendo à memória a lamentável ocasião em que MacFarlane foi o anfitrião da festa.

Outro ponto questionável são as cenas com o advogado vivido por Morgan Freeman – cuja presença força uma lição de moral, com direito ao velho discurso vocês-me-fizeram-lembrar-da razão-pela-qual-eu-escolhi-minha-profissão. Também é um pouco incômodo o relacionamento entre John e Sam, que nem mesmo se mostram interessados um no outro, mas ainda assim se unem porque pede a cartilha.

“Ted 2”, não por acaso, vem amargando uma trajetória bem menos entusiástica que seu antecessor: nos EUA, arrecadou apenas US$ 81 desde a estreia em junho, contra US$ 219 mi do primeiro filme – e o orçamento ainda foi um pouco mais alto. Por aqui, o longa estreia no dia 27 de agosto e o desempenho não deve ser muito diferente. Fuja dessa roubada.


Por Juliana Varella

Atualizado em 29 Ago 2015.

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