Guia da Semana
Cinema
Por Juliana Varella

Crítica: Inquietante, “Sicario” traça um retrato complexo das relações entre tráfico, polícia e lei

Emily Blunt tem atuação memorável no novo filme de Denis Villeneuve.

Emily Blunt interpreta uma agente do FBI no novo filme de Denis Villeneuve (Divulgação)

Estreia neste mês um dos filmes mais comentados do circuito internacional de festivais, e um dos fortes candidatos às principais categorias do Oscar 2016. Não é por menos: “Sicário: Terra de Ninguém”, de Denis Villeneuve (“O Homem Duplicado”, “Os Suspeitos”), é um soco no estômago, capaz de deixar o espectador sem ar, mas, ao mesmo tempo, oferecer um roteiro (de Taylor Sheridan) tão bom que, mesmo com tanta violência, nada é gratuito.

A palavra “Sicario” vem de um tipo de adaga da Roma antiga, comumente usada em homicídios e suicídios. Com o tempo, o termo se tornou sinônimo de “assassino profissional”, depois de ficar associado a um grupo de hebreus que usavam métodos terroristas para combater a dominação romana. “Sicario”, enfim, é o assassino contratado para fazer o trabalho sujo e, até hoje, a humanidade ainda cultiva os seus.

O longa prende a atenção desde a primeira sequência, quando a agente do FBI Kate Macer (Emily Blunt) invade uma casa com sua tropa e metralha um homem em legítima defesa. Segundos depois, a equipe descobre mais de trinta corpos escondidos dentro das paredes do local, e uma bomba explode. Toda essa adrenalina faz com que Macer aceite uma proposta para fazer parte de uma operação fora de sua área, que pretende capturar os chefes do tráfico e acabar com chacinas como aquelas.

De comandante, Macer passa a ser tratada como subordinada por uma dupla formada por Matt (Josh Brolin) e Alejandro (Benício Del Toro), que parecem estar sempre escondendo alguma informação da agente. Apesar de suspeitar da missão desde o início, ela não consegue deixar de seguir em frente, na esperança de fazer uma verdadeira diferença sobre aqueles crimes. Ao seu lado, ela traz seu parceiro de FBI, Reggie (Daniel Kaluuya), tão preocupado quanto ela com a legalidade dos atos dos seus novos companheiros.

A personagem de Blunt é muito bem construída: habilidosa, inteligente, agressiva quando preciso, mas também sensível diante da violência que vê. É uma agente que deixou tudo de lado para lutar pelo que acredita, mas está percebendo que sua luta é quase irrelevante diante da realidade que agora presencia, na fronteira entre os EUA e o México. Sua crise moral é devastadora.

Isso tudo, porém, não é suficiente para defender Villeneuve no que diz respeito à diversidade no filme: Macer é a única mulher em toda a ação, assim como seu parceiro Reg é o único negro – e os dois são verdadeiros alienígenas nesse universo de brutamontes latinos, que se acham os únicos dignos de empunharem armas. Incomoda muito, por exemplo, quando um dos personagens vocifera para Macer “nunca apontar uma arma para ele”, coisa que não diz a mais ninguém. É como se sua masculinidade fosse ameaçada, não sua vida.

“Sicario” constrói a tensão em pequenos paralelos, como o latido de um cão que antecede um tiroteio, ou a história de um pai de família cuja ligação com a trama principal não é revelada até os momentos finais. O público está sempre se preparando para o pior, e os créditos finais sobem sem oferecer nenhum alívio. Esta não é uma história de vitória: é uma história de guerra e de dominação, num contexto em que o homicídio se tornou o último recurso desesperado de uma lei que se percebe inútil.

“Sicario: Terra de Ninguém” estreia no dia 22 de outubro nos cinemas.


Por Juliana Varella

Atualizado em 22 Out 2015.

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