Guia da Semana
Cinema
Por Juliana Varella

Crítica: “Jogada de Mestre” recria sequestro do herdeiro da Heineken nos anos 80

Filme traz Anthony Hopkins no papel do magnata holandês.

Jim Sturgess é Cor Van Hout, líder da gangue que sequestrou o milionário (Divulgação)

A vida real às vezes pode ser mais surpreendente que a ficção. No caso de “Jogada de Mestre” (cujo título original significa “sequestrando o Sr. Heinekken”), a inspiração vem de um crime real, que resultou no maior resgate já pago por um indivíduo até então.

Se o caso, que dominou manchetes em meados dos anos 80, parecia na época digno de um blockbuster de ação, talvez o diretor (Daniel Alfredson, das versões suecas da trilogia Millenium) tenha descoberto que é preciso um pouco mais do que uma boa história e um bom elenco para se construir um bom filme.

De fato, os atores garantem 90% da sustentação do thriller. Anthony Hopkins, com aquele olhar sereno de quem sempre sabe algo a mais que os protagonistas, vive o magnata sequestrado, enquanto Jim Sturgess (“Across the Universe”), Sam Worthington (“Avatar”), Ryan Kwanten (“True Blood”), Mark van Eeuwen e Thomas Cocquerel são os amigos de infância que se unem para cometer o crime.

O contexto é uma crise econômica europeia que deixa o grupo à beira da falência. Com uma esposa grávida e sem disposição para se “rebaixar” de chefe a funcionário, Cor Van Hout (Sturgess) propõe aos seus amigos, já acostumados a alguns pequenos delitos, que se lancem ao “grande golpe” – aquele que garantirá tranquilidade a todas as suas famílias. “Tudo o que temos para apostar é a nossa liberdade... Então é melhor apostarmos alto!”, brada, orgulhoso, numa noite de ano-novo.

O longa começa de forma bastante inteligente, mostrando o milionário discursando sobre o próprio sequestro: “O que vocês estão fazendo é completamente estúpido. Mas, se der certo, será brilhante”. Isso deixa o público com uma expectativa sobre o sucesso ou o fracasso da gangue.

O problema é que, sendo esta uma história real (e uma abordagem relativamente fiel), sobra pouca margem para o inesperado e, apesar do roteiro bem escrito, da produção bem feita e de alguns bons momentos de tensão, o desfecho acaba se mostrando frustrante.

“Jogada de Mestre” é bastante envolvente, mas não será lembrado por muito tempo. Mesmo assim, é uma boa opção para fugir do frio com uma pipoca quentinha naquele fim-de-semana despretensioso.


Por Juliana Varella

Atualizado em 28 Jul 2015.

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