Guia da Semana

Crítica: “Jogos Vorazes: A Esperança - O Final” traz um encerramento aquém do potencial da franquia

Filme estreia nos cinemas no dia 18 de novembro.

O quarto e último episódio da franquia “Jogos Vorazes” estreia no próximo dia 18 (uma quarta-feira), encerrando a saga de Katniss Everdeen e uma das franquias mais bem sucedidas nos cinemas nos últimos anos. Mas será que o final – dividido em dois como tantos outros de sua geração – consegue corresponder às altas expectativas criadas ao longo destes quatro anos?

A primeira impressão de “Jogos Vorazes: A Esperança – O Final” é de que este é um encerramento satisfatório, que entrega tudo o que os fãs esperavam. Mas aí é que está o problema: é apenas satisfatório. O desfecho, que deveria ser apoteótico por se tratar de uma guerra cheia de sacrifícios e traições, e que poderia apontar para uma reflexão mais profunda sobre o significado dos Jogos Vorazes e da espetacularização da guerra, se revela previsível, morno e sem emoção. Quanto à protagonista, seu destino é ainda mais melancólico.

O filme retoma a história exatamente de onde “A Esperança – Parte 1” parou: Katniss (Jennifer Lawrence) está com o pescoço machucado após ser estrangulada pelo ex-noivo Peeta (Josh Hutcherson), que passara uma temporada sob tortura na Capital. Em torno dela, os comandantes do Distrito 13, Alma Coin (Julianne Moore) e Plutarch Heavensbee (Philip Seymour Hoffman), planejam invadir a Capital assim que conseguirem tomar o controle do Distrito 2.

Como nos outros filmes, Katniss se divide entre o ódio contra o Presidente Snow (Donald Sutherland) e sua aversão à violência, praticada pelos próprios companheiros como parte da guerra, pela qual ela se sente culpada. Esse conflito é uma das características mais interessantes da protagonista e poderia guiar um final transformador, mas o que se vê é o oposto disso. Enquanto ela tenta encontrar soluções alternativas para acabar com a guerra (por meio de um assassinato, diga-se de passagem), o restante dos soldados faz sua parte – e a guerra termina como qualquer outra: com um enorme massacre.

A heroína construída com tanto esmero pelos últimos três filmes desliza para um papel de impotência tão grande que ela – assim como o público – é excluída dos momentos mais importantes da ação. Tanto a tomada da residência de Snow (clímax máximo da tetralogia) quanto a morte dele (e o consequente desfecho da guerra) ficam de fora das telas, narrados apenas em comentários tardios ou em imagens distantes e apressadas. Todo aquele discurso pacifista, toda aquela rixa pessoal entre os dois, tudo parece ter sido em vão.

Além disso, qualquer pessoa que assistiu ao terceiro filme da saga sabe que existe um segundo inimigo para Katniss além de Snow, e espera que esse novo embate seja colocado em foco. Pois aviso que isso não acontece: esse personagem é tão mal explorado e tem tão pouco tempo de tela neste episódio que, quando se define seu destino, ele parece precipitado.

Felizmente, há bons momentos no filme. Depois de uma longa sequência de caminhada (editada com close-ups que sugerem ameaças que nunca se concretizam), Katniss, Peeta, Finnick (Sam Claflin) e uma pequena equipe de rebeldes se deparam com uma série de desafios no subsolo da Capital. Esta acaba sendo a segunda melhor cena de ação de toda a franquia, depois da sequência com a neblina tóxica e os babuínos em “Em Chamas”. É uma pena que esse ritmo não se mantenha até o final – piegas demais para fazer jus aos personagens.

“Jogos Vorazes: A Esperança – O Final” não é um filme ruim, mas sim decepcionante. Apesar de prender a atenção e amarrar bem a história, o longa recorre a soluções simplistas e mostra que o que havia de inovador na premissa (a ideia da mídia como instrumento de guerra; a ideia das mortes controladas como instrumento de paz) se perdeu. Que venha a próxima franquia juvenil para ocupar o seu lugar.

Atualizado em 16 Nov 2015.

Por Juliana Varella
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