Guia da Semana
Cinema
Por Juliana Varella

Crítica: Melissa McCarthy ganha seu primeiro grande papel em “A Espiã que sabia de menos”

Comédia satiriza filmes de espionagem e acerta em cheio ao criar personagens cativantes.

Melissa McCarthy interpreta Susan Calvin, uma espiã que trabalha no escritório da CIA (Divulgação)

Nos últimos anos, Melissa McCarthy se tornou aquele nome quase onipresente nas comédias americanas, como já foram Eddie Murphy, Jim Carrey ou Adam Sandler em outros tempos – raramente alguma atriz ocupou esse espaço. Os papéis de McCarthy ainda são bastante irregulares, saltando do terrível “Uma Ladra Sem Limites” para o bem-sucedido “As Bem Armadas”, mas seu novo trabalho, “A Espiã Que Sabia de Menos”, chega para pôr um fim a essa inconsistência.

McCarthy interpreta uma espiã que trabalha no escritório da CIA, dando assistência a um agente secreto em campo (Jude Law). Quando as identidades dos agentes são descobertas durante uma missão desastrosa, ela se oferece para fazer o trabalho, já que seu rosto é desconhecido dos inimigos.

O filme é dirigido por Paul Feig (“Missão Madrinha de Casamento”) e traz um elenco forte, formado também por Rose Byrne, Jason Statham e Allison Janey. O grupo faz uma sátira ao gênero de espionagem que vai além das engenhocas, envolvendo toda uma gama de personagens típicos, mas carismáticos, como o ex-agente mentiroso (Statham) que vive se gabando de suas missões impossíveis.

McCarthy explora o estereótipo atrapalhado para arrancar algumas risadas, mas revela por trás das brincadeiras uma personagem segura e habilidosa, que não tem sucesso por simples sorte (como normalmente acontece nesse tipo de comédia e como o título em português erroneamente sugere), mas por competência.

Esse detalhe torna a história mais verossímil e deixa margem a uma reflexão sobre o preconceito – finalmente, McCarthy tem espaço para mostrar que seu humor não se limita às piadinhas sem graça sobre seu peso. A graça, na verdade, está no fato de que sua nova vida de espiã não é tão glamurosa quanto ela fantasiava, e que seus novos parceiros não são tão ágeis quanto ela.

O filme consegue acertar o ponto, criando caricaturas nos momentos certos e apostando em atuações mais contidas em outros. Como resultado, o público não consegue segurar o riso e aproveita a aventura do começo ao fim, sentindo-se transportado de volta a um tempo povoado por agentes duplos, conspirações e drinks envenenados.

“A Espiã Que Sabia de Menos” chega aos cinemas no dia 4 de junho.


Por Juliana Varella

Atualizado em 3 Jun 2015.

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