Guia da Semana
Cinema
Por Juliana Varella

Crítica: “O Conto dos Contos” traz aos cinemas o espírito sangrento dos contos de fadas do século XVII

Filme de Matteo Garrone é baseado no livro Pentamerone, de Giambattista Basile.

Salma Hayek interpreta uma rainha que recorre à magia para engravidar (Divulgação)

Contos de fadas nunca foram para crianças. Em “O Conto dos Contos”, Matteo Garrone (“Gomorra”) adapta três histórias do compilado de contos italiano “Pentamerone”, de Giambattista Basile, trazendo aos cinemas o espírito original dos contos tradicionais: narrativas sangrentas com lições duras sobre obsessão, paixão e moral.

Basile pode não ser tão conhecido por aqui quanto Charles Perrault ou os Irmãos Grimm, mas os contos destes dois foram fortemente influenciados pelo autor italiano – incluindo clássicos como “Cinderela” e “Rapunzel”. “O Conto dos Contos” reúne três histórias de “Pentamerone” (“La cerva”, “La pulce” e “La vecchia scorticata”), aproveitando elementos de outros contos e alterando alguns detalhes.

Na primeira, uma rainha (Salma Hayek) sonha em ter um filho e, para isso, aceita a ajuda de um feiticeiro. Depois de comer o coração de um monstro marinho cozinhado por uma virgem, ela e a virgem dão à luz gêmeos, que a rainha tentará manter separados durante toda a vida. Na segunda, um rei obcecado por beleza (Vincent Cassel) persegue a voz de uma velha, acreditando ser uma bela moça. A velha consegue enganar o rei com a ajuda de uma bruxa, mas sua mentira acaba trazendo um preço muito alto.

Na terceira história, um rei (Toby Jones) cria uma pulga até que ela cresça a um tamanho gigantesco e, quando ela morre, expõe sua pele no salão para que os pretendentes de sua filha adivinhem que criatura é aquela. Quem adivinha, porém, é um ogro, e a princesa vai viver com ele nas montanhas.

O filme acerta na escolha do elenco, no ritmo e no visual – que lembra uma sucessão de magníficos quadros renascentistas –, mas se esquece de trabalhar as histórias como um conjunto único e bem amarrado. Pouco relacionadas, as três tramas parecem mais adequadas a uma minissérie e não oferecem o sentimento de completude que se espera de um longa-metragem.

Uma solução seria narrar cada história separadamente, ao invés de intercalá-las como acontece no filme, sugerindo uma ligação que não existe. Outra opção seria escolher uma única história e explorá-la mais profundamente - a primeira, sobre a rainha e seu filho, é de longe a mais cinematográfica e renderia um longa-metragem bastante interessante por si só.

“O Conto dos Contos” foi indicado à Palma de Ouro em 2015 e traz no elenco, além de Hayek, Cassel e Jones, John C. Reilly (“Deus da Carnificina”), Shirley Henderson (a Murta de “Harry Potter”) e Stacy Martin (de “Ninfomaníaca”). Estreia no dia 12 de maio.

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Por Juliana Varella

Atualizado em 12 Mai 2016.

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