Guia da Semana

Crítica: “Orgulho e Preconceito e Zumbis” une a graça de Jane Austen com a agilidade de um filme de ação

Filme surpreende e se mostra mais fiel ao original do que se poderia esperar

Nunca pensei que diria isso, mas “Orgulho e Preconceito e Zumbis” é um filme adorável. Adaptação do livro homônimo de Seth Grahame-Smith, que, por sua vez, reimagina o clássico “Orgulho e Preconceito”, de Jane Austen, o longa consegue equilibrar a fidelidade ao original (de Austen) com as implicações de um novo contexto – no caso, um que envolve uma epidemia incontrolável de zumbis.

Antes de assistir ao filme, trocadilhos à parte, recomendo deixar seus preconceitos de lado. Este é, sem dúvida, um filme com zumbis. Mas não é um filme de zumbis. A história, aqui, não gira em torno dos mortos-vivos, nem da busca pela cura, nem da luta pela sobrevivência, mas sim em torno da relação de amor e ódio entre Elizabeth Bennet (Lily James) e um dos personagens mais queridos da literatura britânica, Mr. Darcy (Sam Riley).

Representar Darcy foi um desafio para Riley (que também vivera o corvo em “Malévola”), afinal, o personagem já havia sido imortalizado nos cinemas em 1995 com a interpretação de Colin Firth – e até o ator admite ser fã dessa versão. Quem desconfiava do novo intérprete, porém, pode ficar tranquilo: seu Darcy é bem diferente, mas tão cativante quanto aquele, com um quê de bad-boy-com-bom-coração que deve agradar às novas gerações.

O longa traz algumas novidades bastante divertidas: com o avanço dos zumbis, tornou-se comum que as famílias enviassem seus filhos para treinarem artes marciais no Japão (para os ricos) ou na China (para os sábios). No caso de Elizabeth e suas irmãs, todas treinaram na China e são exímias espadachins. A estética oriental é, por isso, incorporada na narrativa, com inserções de mapas e desenhos em papel para melhor explicar a guerra.

“Orgulho e Preconceito e Zumbis” aproveita a popularidade do feminismo e explora ao máximo as possibilidades que a história oferece para construir suas protagonistas. Numa sociedade apoiada em casamentos arranjados, Elizabeth discute porque não quer um marido (ou quer um que não a obrigue a escolher entre ele e sua espada), enquanto suas irmãs se divertem procurando rostinhos bonitos e ricos nas festas, mas também têm consciência de que estão muito mais seguras com suas próprias armas do que com as deles.

Tudo isso é apresentado sem afetação, como se aquelas fossem realmente as personagens de Jane Austen, encarnadas num outro universo. Há uma cena exagerada, envolvendo a personagem de Lena Headey (Lady Catherine, cuja função, no filme, não fica clara) e uma frase de efeito. “Não sei se admiro mais sua habilidade como lutadora ou sua determinação como mulher”, ela diz. Desnecessário, mas breve o suficiente para não marcar.

Outros discursos clássicos de Austen são aproveitados na íntegra no filme, o que torna as relações entre os personagens muito mais envolventes. O uso da linguagem formal também ajuda a reforçar a ambientação, bem como o figurino, que busca mobilidade entre tecidos pesados e elegantes, especialmente para as meninas.

“As saias atrapalharam um pouco nas cenas de luta, mas o figurino ajudou a nos lembrar da postura, muito importante nas artes marciais”, explicou Bella Heathcote (que vive Jane, uma das irmãs de Elizabeth), em coletiva à imprensa brasileira. Lily concordou e completou, orgulhosa: “Não é comum que as mulheres tenham mais cenas de ação que os homens, por isso quisemos treinar forte e fazer justiça a isso”.

As duas tiveram três meses de treinamento, antes de terminarem a preparação junto com as outras atrizes. O resultado faz, sim, justiça. “Orgulho e Preconceito e Zumbis” estreia nos cinemas no dia 25 de fevereiro e merece uma chance.

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Atualizado em 29 Fev 2016.

Por Juliana Varella
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