Guia da Semana

Crítica: “Os Olhos Amarelos dos Crocodilos” discute humildade e ambição nas relações familiares

Filme francês é adaptação do livro homônimo de Katherine Pancol.

Joséphine sempre foi o patinho feio da família. Sua irmã, Iris, sempre foi a princesinha. Depois dos quarenta, porém, as duas não são mais tão diferentes assim e começam a enfrentar problemas parecidos em suas vidas. Em “Os Olhos Amarelos dos Crocodilos”, que estreia no dia 2 de julho, as relações familiares e os dramas particulares se misturam num grande ensaio sobre sucesso, fracasso e felicidade.

O filme é baseado no livro de mesmo nome de Katherine Pancol e tem direção de Cécile Telerman. Julie Depardieu (filha do ator Gérard Depardieu) interpreta Josephine, ou simplesmente “Jo”: uma pesquisadora humilde com um doutorado e duas filhas, que acaba de se separar do marido. Já Emmanuelle Béart é Iris, uma mulher bela que vive às custas do marido (Patrick Bruel) e se sente pressionada desde criança para ter sucesso, mas não consegue.

Durante um jantar, Iris tenta se mostrar inteligente, por isso inventa que está escrevendo um livro sobre uma comerciante do século XII – que é exatamente a área de pesquisa da irmã. Para manter a mentira, ela faz um acordo secreto: Jo escreveria o livro e ficaria com o dinheiro, enquanto Iris ficaria com a fama.

O filme poderia explorar apenas esse dilema moral entre as duas irmãs, mas não o faz. Durante duas horas (que parecem se estender como quatro), conhecemos os dramas (amorosos e profissionais) de diversos personagens e observamos a história se espalhar como um grande quadro analítico, sem no entanto focar em nenhum ponto principal.

A questão da autoria, que deveria conduzir a trama, demora a ser apresentada e seus desdobramentos se revelam muito menos problemáticos do que poderiam ser. Consequentemente, os dramas paralelos ganham força e acabam por dominar a obra.

Para quem procura um filme detalhado e reflexivo sobre relações humanas, “Os Olhos Amarelos dos Crocodilos” é a escolha certa. Depardieu e Béart estão brilhantes em seus papéis e conseguem expressar toda a complexidade de suas personagens, levantando questões sutis sobre estereótipos e pré-julgamentos. Vá preparado, porém, e tente resistir à tentação de consultar o relógio a alguns minutos do fim. 

Atualizado em 1 Jul 2015.

Por Juliana Varella
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