Guia da Semana
Cinema
Por Juliana Varella

Crítica: “Qualquer Gato Vira-Lata 2” leva triângulo amoroso ao Caribe

Filme não consegue fugir dos clichês machistas, mas compensa com história leve e alto astral.

"Qualquer Gato Vira-Lata 2"

Cleo Pires, Malvino Salvador e Dudu Azevedo estão de volta ao velho triângulo amoroso em “Qualquer Gato Vira-Lata 2”, sequência da comédia de 2011 que chega aos cinemas no dia 4 de junho. Desta vez, os encontros e desencontros acontecem num hotel paradisíaco na Riviera Maia, onde um pedido de casamento se transforma num desastre completo.

Cleo Pires é Tati, uma mulher que viaja com o namorado Conrado (Salvador) para acompanhá-lo num congresso sobre seu livro “Qualquer gato vira-lata tem uma vida sexual mais sadia que a nossa”. Ele não sabe, mas ela já programou tudo para pedi-lo em casamento na frente de toda a família e amigos.

Na maioria das comédias românticas, o pedido vem no final, mas, como este acontece logo no começo, já sabemos que alguma coisa não dará certo – e é tiro e queda. Conrado pede para pensar, desestabilizando a companheira e instigando o ex-namorado dela a aproveitar a “oportunidade”.

É claro que a premissa é absurda e que o filme não pretende se levar a sério, mas existe um sexismo enraizado nessa história que incomoda. De fato, a protagonista toma a iniciativa, mas essa atitude não apenas é ridicularizada, como é neutralizada pelo pedido de um homem ao final da trama – normalizando as coisas, digamos assim. Além disso, surge mais tarde a personagem de Rita Guedes, que parece representar uma psicóloga feminista, mas tem seu discurso justificado como “recalque” e “vingança”.

Para completar, a mãe de Conrado (Stella Miranda) dá um sermão bem-intencionado que sai pela culatra. “Os homens são frágeis e as mulheres têm poder”, diz à nora. “Use o seu com cuidado”. O problema é que, com estas palavras, ela está culpando a mulher por um erro do homem, sugerindo que ela engula a humilhação e pare de pressioná-lo para se desculpar – mantendo assim os estereótipos e as frustrações de ambos os lados.

Questões de gênero à parte, a comédia segue uma linha “feel good”, com uma criança no elenco e um final feliz para todos os personagens. Numa cena que remete à vida real, Fábio Jr. faz uma participação especial, reatando laços com a filha (interpretada por Pires, sua filha de verdade).

O filme deve agradar a quem procura uma história romântica bem leve e com belas paisagens. Apesar de não ter sido filmado realmente no Caribe, o longa encontrou o cenário perfeito num resort baiano. A direção é de Roberto Santucci e Marcelo Antunez e o roteiro, de Paulo Cursino (ambos de “De Pernas Pro Ar” e “Até Que a Sorte Nos Separe”).


Por Juliana Varella

Atualizado em 3 Jun 2015.

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