Guia da Semana
Cinema
Por Juliana Varella

Crítica: “Real Beleza” trava um duelo de valores entre beleza e conhecimento

Filme de Jorge Furtado estreia no dia 6 de agosto nos cinemas.

Francisco Cuoco interpreta um intelectual que não quer deixar a filha seguir a carreira de modelo (Fabio Rebelo)

Qual é realmente a herança que cada homem deixa para a História: seu conhecimento ou a beleza que ele produz? É interessante ver uma questão tão subestimada ser tratada com seriedade por um diretor do calibre de Jorge Furtado, como ele faz em seu novo filme, “Real Beleza”. Ele próprio um intelectual, Furtado se embrenha numa briga contra o rótulo de “fútil” e tenta encontrar a paz entre os livros e as imagens, entre o conteúdo e as aparências.

O filme traz alguns nomes famosos e a bênção de uma grande investidora – o que lhe rouba aquele resquício de credibilidade quixotesca reservada aos “independentes”. Adriana Esteves, Vladimir Brichta e Francisco Cuoco lideram o elenco, o que, na verdade, não é nada ruim – pelo contrário, Brichta está excelente e Cuoco, afiadíssimo.

A história parece banal: um fotógrafo viaja por cidadezinhas do interior em busca da próxima grande modelo internacional. Durante seus testes, ele descobre alguém que lhe chama a atenção, uma beleza diferente, mais misteriosa. O problema é que Maria (Vitória Strada) é filha de um homem muito culto (Cuoco), que repudia o trabalho de modelo e sonha que a garota complete seus estudos.

Quantos de nós não pensariam o mesmo? Estude primeiro, trabalhe depois. A beleza dura pouco, afinal. E pouco paramos para refletir sobre o que isso diz sobre nós. Não apreciamos, então, uma boa fotografia, um livro, uma obra de arte? E fazemos o quê com nossas pequenas bibliotecas tão cuidadosamente cultivadas?

O enredo, em si, não impressiona tanto: algumas escolhas inesperadas são quebradas por outras mais clichês, mas o que fica mesmo são as ideias impressas entre o que vemos (uma biblioteca dos sonhos cujo dono ficou cego) e o que ouvimos (“tira uma foto minha?”).

No final, “Real Beleza” consegue equilibrar bem o romance que o público quer ver com a provocação que ele não quer, podendo agradar, como poucos, a uma variedade de expectativas e gostos. Dos noveleiros aos ratos de sebo, das modelos aos professores universitários.


Por Juliana Varella

Atualizado em 5 Ago 2015.

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