Guia da Semana

Crítica: "Vai Que Cola - O Filme" ou a tristeza cômica do humor brasileiro

Liderada por Paulo Gustavo, adaptação do seriado estreia nesta quinta

De "A Grande Família" a "Os Caras de Pau", não são poucos os sucessos da televisão brasileira que acabam por parar nas telonas. A novidade da vez é "Vai Que Cola - O Filme", seriado queridinho do Multishow, liderado pelo sempre afiado Paulo Gustavo. No longa, vemos os mesmos personagens da TV, desta vez sob o fôlego de uma trama maior. A qualidade do humor, entretanto, vem menor do que nunca.

Paulo Gustavo é Valdomiro Lacerda, tipão metido a malandro, encarnação fajuta do "jeitinho brasileiro". Em meio às falcatruas, perde sua fortuna e deve encarar o maior pesadelo da classe média carioca: render-se às "baixarias" do subúrbio. Leia-se, a pensão de Dona Jô, cenário do já conhecido seriado. 

Quando um ex-sócio o procura com um plano para recuperar a tão almejada cobertura no Leblon, é claro que ele aceita. Com ele, porém, muda-se o resto da "ralé", em uma apocalíptica invasão às intocáveis areias da Zona Sul. Samantha Schmütz, na pele da "piriguete"; Marcus Majella, o "afeminado"; Cacau Protásio, a "gorda"; Emiliano d'Avila, o "machão-cabeça-oca"; Fiorella Mattheis, a "loira-burra" e, por fim, Fernando Caruso, o "malucóide". E o show de esteriótipos começa. 

Há momentos em que a leviandade da trama leva a um riso discreto, como que uma rendição à grave problemática que o filme carrega. Os responsáveis são o próprio Paulo Gustavo (controverso, porém ainda um pouco engraçado) e a ótima Samantha Schmütz, dona de algumas das melhores cenas do longa. Completando, a trilha sonora traz hits das rádios brasileiras que disfarçam toda a agressividade do roteiro.

É interessante que o filme apareça ao mesmo tempo em que a gentrificação no Rio de Janeiro é pauta flamejante nas redes sociais. Propósito ou coincidência? Não há como saber. A única certeza é que a cada lançamento da dita comédia comercial (sempre capitaneada pela Globo Filmes), consta-se a tristeza cômica do humor brasileiro: rir para não chorar. 

Atualizado em 3 Out 2015.

Por Ricardo Archilha
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