Guia da Semana
Cinema
Por Juliana Varella

Em passagem pelo Brasil, Quentin Tarantino fala sobre carreira, sangue, faroestes e a parceria com Tim Roth.

Diretor veio a São Paulo divulgar seu novo filme, “Os Oito Odiados”.

Quentin Tarantino e Tim Roth vieram ao Brasil promover o filme "Os Oito Odiados" (Juliana Varella)

Já se passaram mais de 20 anos desde que Quentin Tarantino visitou o Brasil pela última vez, mas ele ainda se lembra muito bem. Em 1992, o diretor americano veio a São Paulo a convite de Renata e Leon Cakoff para participar da Mostra Internacional de Cinema com seu primeiro longa-metragem – o clássico instantâneo “Cães de Aluguel”. Achava que um dia aprenderia a falar português, mas é claro que isso nunca aconteceu. Foi em bom inglês, carregado com um sotaque do Tennessee, que Tarantino recebeu a imprensa paulista mais uma vez, agora para promover seu oitavo filme, “Os Oito Odiados”.

Esta é a segunda vez que o cineasta explora o gênero faroeste, seu favorito, e tudo indica que não será a última. “Ganhei essa reputação de utilizar um novo gênero a cada filme, como [Stanley] Kubrick... Mas acredito que é preciso fazer três faroestes para poder ser considerado um especialista”. Questionado sobre a escolha um tanto anacrônica, o artista replicou que, ao discutir questões de raça em seus filmes, como fez em "Django Livre", está trazendo uma contribuição necessária para o gênero.

Tarantino não veio ao Brasil sozinho e, ao seu lado, estava o ator Tim Roth, que trabalhou com ele em “Cães de Aluguel” e “Pulp Fiction” antes de “Os Oito Odiados”. Mais experiente que o famoso cineasta, Roth ajudou o colega a se organizar no set em seu primeiro filme, coisa que Tarantino recorda com bom humor. “Ele me dizia que alguém estava me sacaneando e eu nem percebia”.

A parceria entre os dois deu tão certo que o diretor, hoje, procura escrever papéis específicos para Roth. “Meus diálogos não são para qualquer um”, explica. Para ele, uma atuação só é realmente boa quando o personagem combina com o ator, por isso, é natural que visualize alguns nomes antes de escrever o roteiro – Samuel L. Jackson é outro que costuma ser lembrado com frequência.

Além dos rostos conhecidos, os filmes de Tarantino também tendem a ter outro elemento em comum: litros e litros de sangue. A explicação para isso, curiosamente, é muito mais estética do que ideológica. “Sangue na vida real é assustador, mas não nos filmes. Ali, quando é representado por um xarope e tem até um sabor gostoso, você pode usá-lo como se fosse tinta. E essa tinta vermelha pode ser horripilante, bela ou até engraçada. É tudo faz-de-conta.”

Tarantino parece decidido a encerrar sua carreira nos cinemas em breve. Como já afirmara em outras ocasiões, sua intenção continua sendo completar uma filmografia de dez títulos, dos quais lhe restam apenas dois, e então parar. O oitavo, vocês poderão conferir nos cinemas em janeiro de 2016.


Por Juliana Varella

Atualizado em 24 Nov 2015.

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