Guia da Semana
Cinema
Por Juliana Varella

Faroeste Caboclo faz retrato crítico da juventude dos anos 70

Filme recria tragédia musical com doses equilibradas de violência, romance e crítica social.

Fabrício Boliveira vive o baiano João de Santo Cristo na versão cinematográfica de Faroeste Caboclo (Divulgação)

“Meu pai teria adorado este filme”, garantiu Giuliano Manfredini, filho de Renato Russo, minutos após a primeira exibição em São Paulo de Faroeste Caboclo. Com um elenco excepcional e a direção cuidadosa de René Sampaio, o longa-metragem inspirado na canção mais famosa do líder do Legião Urbana consegue alcançar a mesma intensidade dramática da música, com violência e sexo em doses altas, porém amenizadas pela câmera. As críticas sociais, ponto forte da composição, se expandem e arriscam tocar em pontos inexplorados pelo cantor – na época, empenhado em denunciar os “playboys” de Brasília e a injustiça sobre o povo pobre, para o qual João de Santo Cristo é herói, ou santo. Mas René parece discordar do músico num ponto essencial.

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Na versão do diretor, João não é nenhum herói. Interpretado com garra pelo estreante Fabrício Boliveira, o negro que cresce na roça não vai a Brasília falar com o presidente. Ele foge de uma mãe falecida e um futuro de morte certa para buscar abrigo junto ao primo Pablo - o traficante que lhe dá a Winchester 22. É lá que ele conhece Maria Lúcia (Ísis Valverde), a garota rica, filha de senador e estudante de arquitetura, que fuma maconha diariamente e se encanta pelo bandido numa sequência graciosa de encontros na janela.

Bandido, digamos, porque na ocasião ele fugia da polícia. Mas é difícil, aqui, separar os corretos dos fora-da-lei. São os jovens ricos que consomem a maconha traficada por João, Pablo e Jeremias. Pablo mata por cobrança, João por vingança e Jeremias por poder, mas são todos criminosos ao seu modo. Por outro lado, os policiais e políticos também são corruptos e a ditadura militar vive seus últimos dias, agitando uma juventude perdida entre o rock n’ roll e as drogas fáceis. Neste ponto, Faroeste Caboclo mostra a realidade “feia” que Somos Tão Jovens, outro filme sobre Renato Russo e os anos 70/80, preferiu esconder.

Talvez por isso – por abranger questões maiores sem tentar tomar partido - o resultado seja tão atual, relevante para o público jovem e adulto e nem um pouco restrito aos fãs de Renato Russo. “Num momento em que pessoas como Marco Feliciano vêm pregar a intolerância, é muito bom ter esse espaço para movimentar o que está estabelecido demais”, alfinetou Boliveira, lembrando a todos de que o preconceito ainda está aí, transbordando por debaixo do tapete.

 

Faroeste Caboclo estreia no dia 30 de maio, com pré-estreias no dia 29.


Por Juliana Varella

Atualizado em 6 Jun 2013.

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