Guia da Semana

"Guardiões da Galáxia" resgata a ficção espacial com humor e ousadia

Nova megaprodução enriquece o universo Marvel com time de anti-heróis.

Quem achava que a Marvel estava começando a se repetir com suas sequências intermináveis e seus heróis cansados, esquece-se de como essa gigante, há tão pouco tempo nos cinemas, sabe surpreender. Dois anos após seus Vingadores transformarem radicalmente a forma como se ganha dinheiro com filmes, a marca apresenta uma nova aposta ousada: a comédia espacial “Os Guardiões da Galáxia”.

Bastam cinco minutos, ou menos, para que a primeira nave espacial apareça e nos leve para um universo povoado por personagens interessantes e exóticos. O clima despojado é reforçado pela trilha sonora - menos orquestral e mais leve e dançante. Ela é carregada num pop nostálgico, puxado dos anos 70 e 80 com uma justificativa bastante curiosa: o protagonista está ouvindo a mesma fita cassete há, pelo menos, 25 anos.

Há algo de apetitoso num filme que não se leva tão a sério, para variar. Não que não exista humor nos outros longas da Marvel, mas Guardiões abraça a causa e coloca em foco um time de desajustados, seus interesses pouco louváveis e suas relações nada delicadas entre si.  

O protagonista, não por acaso, é mais conhecido por seu trabalho como comediante do que como galã. Para o papel de Peter Quill/Star Lord, Chris Pratt perdeu algo entre 25 e 30 quilos e descobriu músculos que provavelmente nem sabia que tinha. O público pode vê-los em detalhes (e molhados) numa única cena de Guardiões. No resto do filme, ele é o mesmo Pratt de sempre: irônico, bem humorado e com um sorriso tímido de canto que garantirá uma plateia feminina especialmente numerosa (mais ou menos como “Thor: O Mundo Sombrio” fez no ano passado).

Os créditos iniciais são acompanhados por uma sequência cheia de personalidade em que Star Lord dança e testa seus apetrechos num planeta em ruínas. Sabemos que ele é humano, foi abduzido quando criança e, desde então, roda a galáxia em busca de recompensas ao lado do ganancioso Yondu.

Os problemas começam quando uma de suas encomendas se revela uma arma capaz de destruir um planeta inteiro (vocês, que assistiram aos outros filmes da Marvel, já sacaram né?). Atrás dela, estão Ronan (um Kree interpretado por Lee Pace), Thanos (que, segundo o site IMDB, leva a voz de Josh Brolin), Gamorra (Zoe Saldana, em seu terceiro papel em grandes ficções científicas) e o Colecionador (Benício Del Toro).

As duas criaturas mais adoráveis da turma, Rocket Raccoon (voz de Bradley Cooper) e Groot (para quem Vin Diesel dubla uma única frase), também caçam recompensas e estão atrás de Quill. Eventualmente, os três se juntam a Gamorra e a Drax (Dave Bautista) para impedir que o objeto caia nas mãos erradas.

A aventura segue colecionando sequências eletrizantes de corridas com naves (no maior estilo Star Wars), algumas lutas bem coreografadas (envolvendo Gamorra) e pitadas de tensão e sentimentalismo bem colocadas. Destaque para uma sequência aérea envolvendo a nave de Kree e as forças militares de Nova Corps – absurda como o gênero pede, mas belíssima.

O diretor James Gunn (roteirista de “Scooby Doo” e “Madrugada dos Mortos”) acerta ao apostar em excessos como esse. Afinal, depois de uma geração que cresceu entre universos tão mirabolantes quanto os de “Star Wars”, “Star Trek”, “O Guia do Mochileiro das Galáxias” ou “O Quinto Elemento”, os anos 2000 estavam sendo um balde de água fria – ou, apenas, de águas mais realistas, de onde saíram sucessos-cabeça como “Wall-E” e “Gravidade”.

O filme, portanto, chega como um presente para quem já sentia falta das criaturas verdes, azuis ou cor-de-rosa que costumam habitar esses mundos imaginários (e há muitas delas aqui). Estrategicamente, Guardiões chega um ano antes de outro gigante do gênero, também produzido pela Disney: “Star Wars Episódio VII”.

“Guardiões da Galáxia” tem tudo o que se espera de um blockbuster: ação, efeitos especiais, personagens que venderão brinquedos como água. Mas tem, também, tudo o que não se espera: piadas inteligentes, personagens bem desenvolvidos (mesmo que apresentados superficialmente), espontaneidade, carisma. Um carisma que lembra infância e que deve nortear as próximas ficções científicas a partir de agora.

Assista se você:

- Gosta de ficção científica 
- Gosta de aventuras com humor
- Acha que todos os filmes com super-heróis são iguais

Não assista se você:

- Não gosta de ficção científica
- Não gosta de universos absurdos com personagens coloridos
- Espera ver um filme sério 

Atualizado em 2 Ago 2014.

Por Juliana Varella
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