Guia da Semana

Hulk se apaixona e esmaga

Maior dúvida da temporada, O Incrível Hulk cria uma boa mistura de romance com ação desenfreada para esmagar as bilheterias e sacramentar a qualidade dos estúdios Marvel

De Los Angeles


Uma das poucas certezas sobre O Incrível Hulk é que qualquer leitura ou referência ligada do filme dirigido por Ang Lee deve ser esquecida ou relevada. São duas obras totalmente distintas e sem ligação direta. Muito se deve ao fato do diretor francês e fã de quadrinhos Louis Leterrier, responsável por filmar as mais de três horas de material, balancear o ímpeto criativo de Edward Norton e, no fim das contas, levar o personagem de modo correto às telas. Mas fica a grande pergunta: é o Hulk dos quadrinhos ou a versão vivida por Bill Bixby na série de TV?

Uma mistura pode ser a resposta mais plausível, uma vez que referências estão por todas as partes. Até mesmo um pequeno trecho da série é visto pelo personagem de Edward Norton, enquanto descansa em seu refúgio na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro. Esse é o ponto de partida do filme, que mostra Bruce Banner em sua constante fuga do exército norte-americano.

Soa, no mínimo, esquisito e até irreal que um sujeito que, mesmo sendo capaz de ficar verde e superforte quando nervoso, possa ter escolhido como seu refúgio o topo da Rocinha; além de ser mais surpreendente ainda que, em seu encalço, surja um esquadrão de elite do exército que sobe o morro sem nenhum problema e faz o que bem entende. Passem a receita para o Capitão Nascimento, por favor! Some-se a isso o fato de que os personagens "brasileiros" não falam português e até precisaram ser dublados às pressas para evitar constrangimentos no mercado brasileiro.

Saindo do Brasil, porém, o filme se define melhor e, claro, Edward Norton começa a mostrar a que veio. Seus encontros com Liv Tyler e Tim Roth rendem ótimas cenas e garantem a parte dramática da história. Mas, no fim das contas, o que todos querem saber é do Hulk, certo?

Ele é um show à parte. Os efeitos especiais que condizem com a importância do personagem e o sistema utilizado para capturar as feições de Norton e, no caso do vilão, de Tim Roth, agregam bastante para o resultado final. Pode-se dizer que ali não existe apenas um efeito, mas sim uma extrapolação de como os personagens realmente se comportariam diante de tais mudanças.

Importante notar que o uso do Hulk não ficou banalizado ou gratuito. Bruce Banner passa mais tempo se preocupando em tentar controlar o surgimento do Gigante Esmeralda do que se arriscando a ficar nervoso de bobeira. Várias piadas saem desse comportamento, afinal, já imaginaram se o Hulk se manifesta dentro do metrô ou, digamos, num momento mais íntimo? O bom-humor é um elemento positivo e constante.

A história de amor pontua os momentos de ação. Inevitavelmente, Bruce Banner vai procurar Betty Ross (Liv Tyler), sua eterna paixão. O reencontro gera a cena mais comovente e memorável do filme. Debaixo da chuva. Com a música da série de TV embalando aquele momento. Mas, curioso, sem obviedade.

O Incrível Hulk é um filme fora dos padrões. Foi literalmente construído na sala de edição, fruto de uns 12 tratamentos de roteiros, que geraram mais de 3 horas de imagens. O objetivo era criar um filme de ação, com drama no pano de fundo, sem paradas desnecessárias na trama. Conseguiu e o público reconhece o trabalho. Como? Palmas ininterruptas têm seguido as diversas exibições prévias em várias partes do mundo, a imprensa tem recebido positivamente e, os fãs de carteirinha, aqueles que costumam acabar com qualquer adaptação de seus personagens para o cinema, têm várias razões para prestigiar o filme.

Um delas é o fato de O Incrível Hulk ser mais uma parte do grande quebra-cabeça que a Marvel está montando e culminará com o filme do grupo de heróis conhecidos como Os Vingadores, que envolve, entre outros, Capitão América, Homem de Ferro e o Hulk. Aliás, um desses dá as caras neste filme. E, só por isso, já vale o ingresso para descobrir se é verdade, ou não.

  • Confira a entrevista exclusiva com o diretor do longa, Louis Leterrier


    Quem é o colunista: Fábio M. Barreto adora escrever, não dispensa uma noitada na frente do vídeo game e é apaixonado pela filha, Ariel. Entre suas esquisitices prediletas está o fanatismo por Guerra nas Estrelas e uma medalha de ouro como Campeão Paulista Universitário de Arco e Flecha.

    O que faz: Jornalista profissional há 12 anos, correspondente internacional em Los Angeles, crítico de cinema e vivendo o grande sonho de cobrir o mundo do entretenimento em Hollywood.

    Pecado gastronômico: Morango com Creme de Leite! Diretamente do Olimpo!

    Melhor lugar do Brasil: There´s no place like home. Onde quer que seja, nosso lar é sempre o melhor lugar.

  • Atualizado em 6 Set 2011.

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