Guia da Semana
Cinema
Por Juliana Varella

“Jobs” mostra trajetória turbulenta do criador da Apple

Filme conta uma boa história, mas falha no desenvolvimento dos personagens.

Ashton Kutcher caracterizado como Steve Jobs no início do filme (Divulgação)

A tão esperada cinebiografia de Steve Jobs (mais comentada por escalar um improvável Ashton Kutcher do que por narrar a história do gênio falecido em 2011) tem tudo para passar em branco. Recheado com mensagens inspiradoras e frases de efeito, o filme pode agradar à primeira vista, mas dificilmente repetirá o feito de A Rede Social e ficará guardado na memória do público.

+ Saiba onde assistir ao filme
+ Confira as estreias da semana nos cinemas
+ Veja 13 filmes para entender a geração Y

O longa, dirigido por Joshua Michael Stern, abre com uma cena promissora: Kutcher está perfeitamente caracterizado como um Jobs grisalho, extremamente magro e de barba mal feita, apresentando orgulhosamente sua “nova” invenção nos idos de 2001: o IPod.

A boa impressão do início, porém, começa a se diluir quando descobrimos que o filme não abordará aquela fase (aliás, ele termina muito antes desse ponto), mas sim a juventude, a fundação da Apple, o afastamento de Jobs pelos CEOs da empresa em 1985 e o retorno em 1996.

Jobs, de Joshua Michael Stern

Kutcher, que agora aparece como um garotão descalço e rebelde (ou esperto, já que abandona a faculdade, mas continua a freqüentar as aulas), conduz bem o personagem. Como notou o verdadeiro Steve Wozniak, parceiro e co-criador da Apple, o Jobs do filme não é o mesmo da realidade, mas é, ainda assim, uma figura interessante.

Stern explora Jobs como um homem introspectivo, conectado mais com o mundo das ideias do que com a realidade. Apesar de ter amigos e namoradas (e até uma filha, mais tarde), ele é essencialmente solitário, incompreendido em suas visões mais ousadas (como no próprio conceito de computador pessoal) e incapaz de compreender as emoções mais simples.

Apesar disso, Jobs-Ashton tem uma habilidade notável com as palavras e é capaz de roubar a cena até nas discussões mais banais. Nesse ponto, o filme funciona como uma grande campanha de marketing da Apple, enchendo os ouvidos dos espectadores com ideais de criatividade e beleza – logo associadas à originalidade da marca.

Jobs, de Joshua Michael Stern

Aos poucos, conseguimos entender Jobs. Mas o que fazer com os numerosos coadjuvantes que cercam o “gênio”, sem qualquer definição de personalidade? Wozniak, vivido por Josh Gad, até consegue evoluir ao longo do filme apesar dos estereótipos (repetidos por ele em Os Estagiários), mas a namorada, o investidor, os outros colegas de criação e até mesmo os pais são figuras planas demais.

A trajetória de sucesso-traição-sucesso, que poderia sustentar o filme, também não convence. Os lapsos de tempo são longos demais e não sabemos o que levou o personagem a reatar com a filha ou com a empresa. O que nos é mostrado são apenas os fatos, não as motivações, e é essa a maior fraqueza do filme. Para resumir numa frase, falta humanidade.

Assista se você

  • Está curioso para ver Ashton Kutcher no papel de Steve Jobs
  • Prefere a Apple à Microsoft
  • Quer saber mais sobre a criação do computador pessoal

Não assista se você

  • Espera ver uma biografia fiel
  • Espera ver um filme emocionante
  • Não se interessa por discussões empresariais

Por Juliana Varella

Atualizado em 5 Set 2013.

Mais notícias

Saiba tudo sobre a 44ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

Cinema

Filme 'Convenção das Bruxas' ganha trailer e pôster em português; confira!

Cinema

12 filmes imperdíveis do festival de documentários "É Tudo Verdade"

Cinema

10 festivais de cinema para ver online em 2020

Cinema

5 motivos para conferir a 9ª edição da Mostra Ecofalante de Cinema

Cinema

Pipoca com sabor inspirado nas sobremesas do Outback entra no cardápio do Drive Park por tempo limitado; saiba tudo!

Cinema
Guia da Semana Premium
Nosso conteúdo na melhor forma!

Aproveite o Guia da Semana de forma mais rápida, sem banners ou publicidade digital!