Guia da Semana

Quase Irmãos, quase um filme

Will Farrell peca em exageros desnecessários numa comédia mal realizada.

De Los Angeles


Mesmo com toda sua fama e sucesso, o comediante Will Farrell continua intercalando momentos de humor refinado com exageros desnecessários em sua carreira. Um dos pontos negativos nessa trajetória é Quase Irmãos... , escrito por Farrell, que conta a história de dois marmanjos que se tornam irmãos depois que seus pais se casam. Sem muito objetivo, sobram algumas piadas eficientes e uma imensa quantidade de cenas constrangedoras, o que invalida a necessidade de lançamento desse filme nos cinemas brasileiros.

Will Farrell é Brennan, 39 anos, desempregado que mora com a mãe. John C. Reilly é Dale, 40 anos, baterista frustrado que mora com o pai. Eles se tornam irmãos, mas suas idades são irrelevantes, já que ambos têm a mentalidade de crianças de 5 anos. Uma série de disputas infantis e pouco engraçadas define o início dessa relação que, claramente, vai ser concluída com algum amadurecimento por parte da dupla. E é nesse processo que a cabeça insana de Farrell entra em ação, ao imaginar seu personagem como um grande cantor que foi humilhado pelo "irmão" publicamente e que precisa encontrar seu caminho.

Mas o que, em princípio, parece engraçado, rapidamente se torna desnecessário e constrangedor. Para ofender o "irmão", ele chega a esfregar seus genitais no conjunto de bateria do qual, necessariamente, deveria ficar longe. Toda a inimizade dura pouco e, logo, eles encontram um inimigo em comum e decidem se tornar os melhores amigos do mundo. Tudo em apenas um dia, o que acentua o tom infantilóide do longa dirigido por Adam McKay, o mesmo de A Lenda de Ron Burgundy, que co-assina o roteiro.

A dobradinha Farrell/McKay é tão inconstante quanto os acertos do ator. Eles são comediantes de ofício, trabalharam juntos no Saturday Night Live e têm vários filmes realizados em conjunto. Talvez por isso um não coloque a idéia do outro em cheque em benefício do público, que se vê refém do gosto da dupla. Faca de dois gumes em todos os casos.

Claro que alguns bons momentos estão por ali, mas não justificam o lançamento do filme nos cinemas. Quando a cunhada de Brennan resolve cair de amores por Dale - que dá um soco no irmão bem-sucedido de Brennan -, o fator sexual entre em cena e a disfuncionalidade familiar fica completa. Tudo é exagerado. Sejam as decisões da dupla, sejam as mudanças de estilo dos personagens. Ninguém ali tem tempo de se desenvolver muito, tudo é rápido e extremo.

Brennan e Dale são os únicos que passam por certa evolução, já que deixam de lado tudo que são para crescer. Óbvio que a mudança radical não faz bem aos personagens e encontrar um meio termo é necessário. O filme, porém, falha ao buscar esse balanço entre exagero, bobagem descabida e humor. Farrell chorando como criança não convence nem faz rir, mas a frustração maior vem de John C. Reilly, impactante em dramas como Gangues de Nova Iorque e sempre se arriscando em comédias como Talladega Nights, ao lado de Farrell, mas não funcionou como personagem principal.

Ver os dois se comportando como crianças soa muito mais como filme ofensivo sobre deficientes mentais do que comédia sobre amadurecimento e a vida real. Quase Irmãos é quase engraçado, quase ofensivo, quase um filme. Esperar pelo DVD pode ser a melhor opção.




Quem é o colunista: Fábio M. Barreto adora escrever, não dispensa uma noitada na frente do vídeo game e é apaixonado pela filha, Ariel. Entre suas esquisitices prediletas está o fanatismo por Guerra nas Estrelas e uma medalha de ouro como Campeão Paulista Universitário de Arco e Flecha.

O que faz: Jornalista profissional há 12 anos, correspondente internacional em Los Angeles, crítico de cinema e vivendo o grande sonho de cobrir o mundo do entretenimento em Hollywood.

Pecado gastronômico: Morango com Creme de Leite! Diretamente do Olimpo!

Melhor lugar do Brasil: There´s no place like home. Onde quer que seja, nosso lar é sempre o melhor lugar.

Atualizado em 6 Set 2011.

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