Guia da Semana
Cinema
Por Juliana Varella

“Risco Imediato” se revela tão genérico quanto seu título

James Franco e Kate Hudson interpretam um casal comum que se envolve com perigosos traficantes.

Kate Hudson vive uma mulher que sonha em ter um filho e encontra uma mala com dinheiro (Divulgação)

A tradução de títulos de filmes é uma coisa complicada. “Good People”, por exemplo, significa literalmente “boas pessoas”, o que tem tudo a ver com o filme de Henrik Ruben Genz com James Franco e Kate Hudson, que estreia no Brasil em abril. Em português, o longa ganhou o nome de “Risco Imediato”.

De tão genérico, o título serviria para quase qualquer filme de ação – mas não serve para este. Os protagonistas Tom (Franco) e Anna (Hudson) são, afinal, boas pessoas. Pessoas de bem, como dizemos, daquelas que trabalham, se amam e economizam cada centavo para realizar o sonho de ter uma casa e um filho. E isso é o ponto: se eles são tão bons assim, como será que agiriam diante da tentação de fazer algo muito errado?

Ok, a premissa não é nenhuma descoberta da roda, mas, pelo menos, há um objetivo claro na história, o que se perde com o nome em português. Aliás, de “imediato” o risco não tem nada: os dois encontram uma mala de dinheiro na garagem que alugavam e, até que isso comece a lhes trazer problemas, leva pelo menos uma semana.

O dinheiro tinha sido roubado durante uma briga de gangues e, agora, as duas facções rivais estão atrás de vingança. Ingênuos, Tom e Anna começam a usar o tesouro para pagar as contas e algumas extravagâncias a mais. Assim, além dos criminosos, eles conquistam também a atenção de um policial particularmente determinado.

O filme segue por um caminho tedioso de dilemas morais, péssimas decisões dos protagonistas e exibicionismo cruel dos vilões, mas surpreende perto do final com uma sequência de ação engenhosa e sanguinária.

No fim, “Risco Imediato” se revela uma mistura de diversos clichês policiais que, propositalmente ou não, consegue fazer o espectador torcer contra os protagonistas. Infelizmente, os vilões também não provocam empatia, estereotipados ou como o “torturador desumano” ou como o “elegante rei do crime”. Dispensável.


Por Juliana Varella

Atualizado em 5 Mar 2015.

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