Guia da Semana
Cinema
Por Juliana Varella

The Bling Ring explora tensão real em Hollywood

Filme de Sofia Coppola faz soar natural a invasão de privacidade num mundo regido por reality shows e falsas intimidades.

A "gangue de Hollywood" age como as celebridades de quem rouba (Divulgação)

Sofia Coppola ouviu seus instintos e acertou, de novo. Filha de um diretor cultuado (Francis Ford Coppola) e rara mulher entre os cineastas americanos, ela cresceu acostumada aos holofotes e mostrou conhecimento de causa no seu novo The Bling Ring – A Gangue de Hollywood, que estreia no dia 16 de agosto. Ao invés de defender a classe, contudo, a jovem diretora faz uma crítica ácida à cultura de celebridades que mantém viva uma Hollywood narcisista e alienada em si mesma.

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Numa tradução livre, “bling ring” significaria “anel de brilhantes” ou “liga da ostentação”. Nada mais justo: Rebecca, Marc, Nicki, Chloe e Sam (nomes fictícios usados no filme) roubaram casas de celebridades enquanto elas viajavam, simplesmente para usar suas roupas, perfumes, bolsas e jóias. Não que não pudessem comprar seus próprios mimos: todos eram filhos bem-alimentados da classe A.

As razões que teriam levado os jovens a cometerem os crimes poderiam ser discutidas à exaustão, mas Sofia dá pistas da sua opinião em todo o longa – selecionando e enfatizando com destreza os detalhes entregues pela autora do artigo original na Vanity Fair (Nancy Jo Sales).

Nicki (Emma Watson, livrando-se enfim do fantasma da bruxinha Hermione) é a deusa em seu lar: fracamente educada pela mãe, vaidosa o suficiente para monopolizar uma entrevista ou desfilar em direção ao tribunal e vazia o suficiente para reproduzir frases sem sentido unindo expressões como “karma”, “caridade” e “pessoa melhor”. Marc é a ex-vítima de bullying que vê numa garota bonita a chance de dar a volta por cima, sentir-se aceito e ganhar mais de 800 amigos no facebook. Já Rebecca, a líder da gangue, é a “aprendiz de Lindsay Lohan”, a fã que se refugia no universo das celebridades para não encarar uma família disfuncional e, acima de tudo, para sentir-se bonita.

Mais do que denunciar o abandono dessa juventude americana, Sofia propõe uma reflexão ao sistema de culto, comparando a todo momento assaltantes e assaltados, como frutos de uma mesma realidade. Além disso, a transparência das casas lembra a das lentes apontadas a personagens semi-reais em reality shows e tapetes vermelhos.

A privacidade perde o sentido num mundo em que atores e socialites vivem da exposição – repare no plano aberto que observa a casa envidraçada e suas luzes acesas, uma a uma, enquanto sirenes apitam à distância. Estar do lado de fora é quase como estar dentro, o que assusta.

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Por Juliana Varella

Atualizado em 13 Ago 2013.

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