Guia da Semana
Cinema
Por Juliana Varella

“Uma Estranha Amizade” mostra relação entre jovem e idosa solitárias

Filme de Sean Baker tenta renovar a fórmula ambientando a trama em meio à indústria pornô americana.

Dree Hemingway vive uma atriz pornô no filme de Sean Baker (Divulgação)

Garotas blasé (com aquele ar de quem não está nem aí para o mundo) estão na moda nos cinemas. Talvez impulsionadas pelo sucesso da (quase) inexpressiva Kristen Stewart nos tempos de Crepúsculo, a verdade é que elas estão em toda a parte: na estudante-prostituta de “Jovem e Bela”, na despudorada Joe em “Ninfomaníaca” e, agora, também na típica adolescente perdida de “Uma Estranha Amizade”, do diretor-roteirista Sean Baker.

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Quem dá vida à protagonista no indie americano é Dree Hemingway (bisneta “daquele” Hemingway), que contracena com a novata Besedka Johnson – uma senhora de 85 anos que sempre sonhou em ser atriz e morreu pouco depois das gravações.

Johnson, aliás, é o que segura o interesse no filme entre tantos personagens vazios que só fazem cheirar, xingar ou jogar vídeo-game. Isso porque Sadie (Johnson) é uma mulher culta e solitária, enquanto Jane (Dree) é uma extrovertida atriz pornô, fato que só descobrimos depois de conhecer a ela, seu chihuahua (que dá nome ao filme original) e seus estranhos amigos.

A atitude de Jane se aproxima mais da de uma menina mimada, uma modelo talvez, pela alarmante finura das pernas. Mas a realidade revela uma camada inesperada da personagem, que pode não ser tão infantil quanto parece e tem razões para cultivar uma noção distorcida das relações interpessoais.

Essas frágeis relações ficam mais evidentes quando ela conhece a vizinha idosa. Após comprar sua garrafa térmica e descobrir uma grande quantidade de dinheiro escondida dentro, Jane se sente na obrigação de ajudar a senhora, mesmo que sua ajuda não seja bem-vinda.

Há pouca novidade na trama de amizade entre um jovem e um idoso, e o público já sabe o que esperar. Por isso, sobra tempo para observar as nuances de expressão trocadas entre Jane e Sadie, que se comunicam mais pelo olhar do que com palavras.

Nos momentos em que elas não contracenam, porém, o que sobra é um retrato um tanto exagerado de vidas irresponsáveis, entre atrizes desiludidas, agentes-cafetões e Chihuahuas.


Por Juliana Varella

Atualizado em 11 Fev 2014.

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