Guia da Semana
Cinema
Por Ricardo Archilha

Unindo humor ao drama, "O Casamento de May" critica os conflitos religiosos palestinos

O segundo longa da diretora Cherien Dabis chega ao Brasil.

"O Casamento de May" critica os conflitos religiosos palestinos (Divulgação )

Não é de hoje que a mulher é tema central no cinema do Oriente Médio. Ora para denunciar o preconceito ou a misoginia, ora para empoderá-las em uma cultura de tanta repressão. Filmes como "A Separação", "O Sonho de Wadjda" e "Caramelo" representam muito bem essa tendência. A surpresa da vez é "O Casamento de May", segundo longa da diretora palestina Cherien Dabis, que abriu com louvor o último Festival de Sundance. Transitando entre o drama e a comédia, "O Casamento de May" retrata o conflito de gerações, religiões e crenças em meio a história de uma família jordainense - não deixa de lado, entretanto, todas as peripécias típicas de qualquer lar.

Depois de anos, a jovem escritora May retorna a Amã para visitar a família pouco antes de seu casamento. Sua mãe, católica, desaprova o noivo muçulmano, planejando boicotar a cerimônia. O pai, até então distante, ensaia uma aproximação. Ao lado das divertidíssimas irmãs, May descobre que as coisas não serão assim tão fáceis. Todas as reviravoltas a farão reavaliar não só a sua decisão sobre o casamento, como também sobre a sua vida e a sua família.

Não é a primeira vez que o contexto social palestino aparece na obra de Dabis. Tanto em seus curtas, como em seu primeiro filme, "Amreeka", a diretora aborda a sua situação com uma leveza atípica, mostrando-se como uma estratégia para lidar com a delicada situação. Aqui, tais contextos ficam em segundo plano - o objetivo é mostrar as relações interpessoais que, mesmo com as suas peculiaridades culturais, são, na verdade, onipresentes em qualquer lugar do globo.

Em "O Casamento de May", cada personagem tem o seu destaque. Não é apenas a protagonista que deve lidar com as suas questões existenciais. Seja a irmã gay ou a mãe que ainda ama o ex-marido; ou sua atual mulher que acredita que ele a esteja traindo. Até o próprio noivo, que pouco aparece em cena, mas também deixa os seus rastros de dúvida em relação ao casamento. Dosando a quantidade certa de humor ao drama, é importante não se deixar enganar pela leveza da comédia. Seja qual for o tema, o cinema do Oriente Médio entrou com tudo no panorama internacional, mostrando não só a sua qualidade, como também, a sua urgência e importância. "O Casamento de May" deve não só conquistar o público alternativo; mesmo aqueles presos a estética comercial prometem ser conquistados pela delícia de história de Cherien Dabis.

ASSISTA SE VOCÊ:

- Se interessa pelo tema da religião no Oriente Médio
- Procura um filme engraçado e ao mesmo tempo dramático
- Gosta de filmes com protagonistas femininas

NÃO ASSISTA SE VOCÊ:

- Não se interessa por filmes críticos
- Prefere cinema comercial
- Procura um filme leviano


Por Ricardo Archilha

Atualizado em 6 Ago 2014.

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