Guia da Semana

Vício Inerente: sexo, drogas e rock'n'roll à flor da pele

O sétimo filme de Paul Thomas Anderson estreia em 26 de março.

Depois de "O Mestre", Paul Thomas Anderson continua a desafiar o seu espectador com mais um filme caótico, porém não menos genial. "Vício Inerente" mistura elementos do cinema noir com toda a psicodelia dos anos 1960 e 1970, período em que a história se passa. O resultado é um filme policial intrigante e cheio de fôlego, temperado com personagens irreverentes e extremamente bem-humoradas. Com diálogos ácidos, Anderson mostra o seu talento quando o assunto é roteiro, sem deixar de lado, porém, todos os ingredientes visuais que completam o êxito de seu novo filme.

"Vício Inerente" vem com a ousadia de ser a primeira adaptação cinematográfica de um romance de Thomas Pynchon. Digo ousadia porque o escritor é conhecido por seus enredos recheados de subtramas que nem sempre ajudam a compreender a história principal - sem contar as personagens, que vão surgindo a cada cena. A história exige, sim, um certo esforço do espectador. Mas isso não é necessariamente um problema, já que Anderson consegue criar uma receita para nos guiar no meio de toda essa confusão. No final, estamos em uma overdose como as personagens do longa. Mas a overdose, do outro lado da tela, é de arte. 

O cenário é a conflituosa Califórnia na transição entre as décadas de 1960 e 1970. O tráfico rege uma sociedade extasiada pelos efeitos das drogas e enquanto uns perambulam pelas ruas, outros estão lucrando, e muito, com toda essa situação. A ambição é palavra chave: seja por mais bad trips, ou por mais dinheiro. É aqui que conhecemos, do primeiro lado, o detetive Larry “Doc” Sportello - um verdadeiro hippie interpretado (e que interpretação!) por Joaquin Phoenix. 

Quando a sua ex-namorada aparece com a notícia de que seu atual amante, um latifundiário milionário, corre perigo, Doc decide ajudar. Sua esposa planeja um golpe para internar o magnata, e é claro, ficar com a herança. O que Doc não sabe é que o caso é muito mais perigoso e complexo do que ele imaginava. E é aí que entramos no megalomaníaco universo de Anderson e Pynchon. Dizer mais é estragar a história, mas prepare-se para entrar de cabeça no mundo hippie, da máfia e das sociedades secretas. Surfistas, traficantes, drogados, roqueiros, agiotas, policiais, ricaços e prostitutas. E para dar vida a incontável gama de personagens, Anderson reuniu ótimo elenco. 

Joaquin Phoenix, Josh Brolin, Owen Wilson, Reese Witherspoon e Benicio Del Toro podem ser os atores principais, mas é injusto deixar os outros nomes de lado. A desconhecida Hong Chau, por exemplo, rouba as poucas cenas em que aparece. Joanna Newsom, da série "Portlandia", Katherine Waterston, de "Conduta de Risco", e Jena Malone, de "Jogos Vorazes", também fazem parte do time. Os diálogos? Engraçados, inteligentes e recheados de humor negro.

 

Já que estamos nos anos 1970, é claro que não poderia faltar muito jazz, rock, surf music e eletrônica. A trilha sonora é um embalo para entrar, ainda mais, na atmosfera do filme e foi composta por ninguém menos que Jonny Greenwood, do Radiohead. A direção de arte é um dos pontos altos (se não o mais alto) de "Vício Inerente" e contou com renomados criadores de Hollywood - o figurino, por exemplo, chegou a ser indicado ao Oscar de 2015.  

"Vício Inerente" pode ser confuso e cheio de informações. Mas é, ao mesmo tempo, instigante e cativador. Não é um filme óbvio e, às vezes, é justamente disso que precisamos. 

Atualizado em 30 Mar 2015.

Por Ricardo Archilha
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