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Cinema
Por Redação Guia da Semana

A Paixão de Cristo

Mel Gibson recria de maneira muito realista as últimas horas da vida de Cristo, da agonia no Jardim das Oliveiras até a crucifixão..

A Paixão de Cristo

Diretor: Mel Gibson

País de origem: EUA

Ano de produção: 2004

Classificação: 14 anos

Filmes retratando a vida de Cristo não são novidade. Eles existem desde a época do cinema mudo, quando Cecil B. DeMille filmou Rei dos Reis (que depois ganhou um remake bem mais conhecido). Diretores como Pier Paolo Pasolini e Franco Zeffirelli também fizeram suas versões, e houve as visões mais ousadas, como a de Denys Arcand em Jesus de Montreal, a de Martin Scorcese em A Última Tentação de Cristo, e o musical Jesus Cristo Superstar. Agora, Mel Gibson dá sua visão para A Paixão de Cristo, mostrando as últimas horas da vida de Jesus, do momento em que ele vai rezar no Jardim das Oliveiras até a morte na cruz, passando pela traição de Judas, a negação de Pedro, o julgamento, a flagelação e o caminho até o Gólgota.

O diferencial, neste caso, é o extremo realismo que Gibson colocou no filme. Os personagens falam latim e aramaico - tirando aquela sensação estranha de ver Jesus falando inglês, ou português. O Cristo interpretado por Jim Caviezel, ainda no meio dos suplícios aos quais é submetido, está irreconhecível, ao contrário dos Cristos mais açucarados que vieram antes dele. A violência é brutal e chocante, mas não gratuita: na visão de Gibson, influenciado pela doutrina católica, cada pecado, por menor que seja, é como uma chicotada, uma cusparada, um espinho da coroa ou uma martelada nos cravos que uniram o corpo de Cristo à cruz. No entanto, a mensagem do filme não é de ódio: prestes a morrer, Jesus pede ao Pai que perdoe os seus algozes; intercaladas às cenas da paixão vemos partes da Última Ceia, e do Sermão da Montanha (onde Jesus diz "amai vossos inimigos"), além do episódio em que Maria Madalena (Monica Bellucci) quase é apedrejada. A relação entre Jesus e sua mãe também é muito explorada, de modo comovente.

A fotografia de Caleb Deschanel se inspirou nos quadros do renascentista Caravaggio, e nas cenas em local fechado percebe-se a influência do pintor italiano, que joga com a luz penetrando na escuridão. A iconografia cristã também influenciou na própria representação da crucifixão: embora na realidade os condenados carregassem apenas a trave horizontal da cruz, amarrada nos braços (como os dois ladrões no filme), e os pregos atravessassem os pulsos, e não a palma das mãos, Gibson preferiu uma abordagem clássica, com Cristo pregado pelas mãos e levando a cruz inteira às costas. Mas o maior motivo de discussão em relação ao filme é seu suposto anti-semitismo (leia nossa matéria especial para saber mais). É muito improvável que A Paixão de Cristo provoque alguma conversão na platéia, mas, para quem já é cristão, o filme será uma experiência e tanto. (Resenha por Marcio Antonio Campos)

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