Guia da Semana

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Em uma lista dos grandes genocídios do século XX, não é difícil lembrar do Holocausto, das recentes guerras na África e das atrocidades no Timor Leste. Mas o sofrimento pelo qual o povo armênio passou na década de 10 fica quase sempre esquecido. Nas mãos dos turcos, dois terços dos armênios morreram entre 1915 e 1918. A Turquia sempre negou o episódio e até hoje nunca se desculpou. Como os acontecimentos foram praticamente apagados dos livros de história, ficou tudo por isso mesmo. É a história deste genocídio que Atom Egoyan conta em Ararat.

O massacre, no entanto, é apenas parte dos múltiplos enredos do filme: também há, na época atual, uma historiadora da arte, com problemas familiares, dando uma palestra sobre um pintor armênio; o filho da professora tenta entrar no Canadá com várias latas de filme, necessárias para um longa sobre o genocídio, e é interrogado por um oficial (Christopher Plummer) em seu último dia de trabalho, cujo filho tem um caso com um ator que interpreta um general turco neste "filme dentro do filme".

Ararat tem valor pessoal para Atom Egoyan (de O Doce Amanhã), cineasta canadense nascido no Egito, mas de ascendência armênia - assim como sua mulher, a atriz Arsinee Khanjian, e os atores Charles Aznavour e Eric Bogosian, que interpretam respectivamente a historiadora Ani, o diretor e o roteirista do filme. Mas é o caso de se perguntar se, ao colocar o genocídio dentro de outros enredos, Egoyan não acabou diluindo a força de sua denúncia.

Ararat

Diretor: Atom Egoyan

País de origem: CAN

Ano de produção: 2002

Classificação: 16 anos