Guia da Semana
Comportamento
Por Ricardo Archilha

Saiba o que esperar de Ninfomaníaca - Volume 2

A segunda parte do novo filme de Lars Von Trier fecha a saga desse que é mais um dos grandes momentos de sua carreira.

Ninfomaníaca - Volume II chega aos cinemas no dia 13 de março (Divulgação )

E então, há exatos dois meses, conferíamos ansiosos e até um pouco chocados a primeira parte de Ninfomaníaca. O novo longa de Lars Von Trier causara frisson antes mesmo da estreia, pela promessa de um espetáculo forte e explícito, além da própria discussão acerca do tema - denso e polêmico, como não poderia deixar de ser. A gente foi lá, assistiu e contou para vocês que, apesar da crueza das cenas, o sexo deu lugar à repulsa e à reflexão, em um filme que mostra de forma (um pouco) violenta e ao mesmo tempo (bastante) poética, as mazelas da ninfomania que é, antes de tudo, um transtorno psiquiátrico.

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Agora, no segundo volume do longa, que chega aos cinemas em 13 de março, acompanhamos a vida adulta de Joe (interpretada pela musa do diretor - charlotte Gainsbourg), em mais um prato cheio de suas aventuras sexuais. Se na primeira parte, a juventude da ninfomaníaca foi pautada por descobertas e até um pouco de diversão, agora as consequências dessa vida "suja" e "rebelde" batem a porta mostrando o sofrimento que tudo isso lhe causou. E, mais uma vez, o caráter reflexivo toma conta da narrativa, deixando o explícito em segundo plano. Sim, há closes de vaginas e pênis na tela, sadomasoquismo e muito da putaria que o diretor prometeu - apesar de ficar claro, que objetivo de Ninfomaníaca não é, e nunca foi, excitar o espectador com cenas de sexo. Muitas delas até são irônicas, como a esperada e hilária cena do ménage. No final, quando os créditos invadem a tela, fica aquele resquício de mal estar e aquela ebulição de sentimentos que um filme como este não poderia deixar de nos causar.

Se é melhor ou pior não podemos dizer, já que se trata de uma parte isolada da obra como um todo – quer dizer, volume 1 e volume 2 formam um único filme, não é mesmo? Por enquanto, a gente fica na vontade da versão estendida e sem cortes, por mais que ela tenha mais de 5 horas de duração! O que podemos dizer é que o desfecho da saga vai direto ao ponto, com menos digressões e analogias, com mais ação. É claro que a natureza artística não fica de lado, já que estamos tratando de Lars Von Trier, que muitas vezes, também brinca com o roteiro no seu melhor estilo o-filme-é-meu-eu-faço-o-que-eu-quero. Há referências a Igreja Católica, tema que o diretor adora, diga-se de passagem, Michael Haneke e sua professora de piano e até ele mesmo, em cena que remete ao prelúdio de Anticristo.

Brincadeiras à parte, Ninfomaníaca segue a sua conclusão com um viés um tanto quanto político, já que Lars Von Trier não poderia deixar passar sem as suas ácidas críticas à hipocrisia da contemporaneidade. Como que em uma redenção, Joe declara que é sim uma ninfomaníaca e não uma viciada em sexo, como os psicólogos insistem em chamá-la. Diz ter orgulho de ser o que é, e que não vai mudar apenas para ser aceita em uma sociedade que insiste em inibir os nossos instintos e ser o que somos, apenas para camuflar, e até extinguir, o que é sujo e obsceno aos olhos de uma maioria - depois disso ela queima um carro enquanto escutamos Burning Down The House, do Talking Heads. Há! Ainda há espaço para um (necessário) discurso feminista, já que se questiona também se tudo o que Joe passou não teria sido diferente se ela fosse um homem.

Persona-non-grata, acusado de antissemita e misógino, Lars Von Trier é uma das figuras mais polêmicas da nossa geração. Porém em Ninfomaníaca, transmitiu mais uma vez, suas críticas e anseios pessoais nesse que é um dos filmes mais ousados de sua carreira - e olha que todos são! Olha com escárnio para a hipocrisia e desconstrói alguns de seu rótulos, por mais que, vamos combinar, ele os adore!

#considerações:

1) Obrigado, Lars Von Trier, pela sua genialidade, competência e coragem;
2) Parabéns Shia Labeouf, você é um gostoso;
3) Aliás, parabéns ao elenco todo, vocês são uns gostosos;
4) Gostosos e talentosos, é claro;
5) Assistam!


Por Ricardo Archilha

Atualizado em 20 Mai 2014.

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