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Por Redação Guia da Semana

Transtornos Maníaco-Depressivos

Denominada Transtorno Bipolar do Humor, a doença tem tratamento e pode ser controlada pelo próprio portador.

Fotos: Sxc.hu


O mundo moderno traz doenças que afetam cada vez mais pessoas. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 30% dos trabalhadores no mundo sofrem com ansiedade, estresse e depressão.

Cada vez mais problemas psicológicos aparecem. Anorexia, depressão, bulimia, síndrome do pânico, amnésia dissociativa, neurose... São apenas alguns dos distúrbios que fazem parte da lista. Nessa mesma lista está o Transtorno Bipolar do Humor, que está presente em cerca de 1,5% da população geral, sem grande variação entre homens e mulheres.

Antigamente, o mal era denominado Psicose Maníaco-Depressiva, mas o nome foi modificado porque muitos pacientes não apresentavam os sintomas psicóticos. Os portadores da doença mudam de humor como quem troca de roupa, oscilando drasticamente entre a mania (um estado de euforia) e a depressão, ocorrendo em ciclos rápidos ou intervalos de maior tempo.

A psicóloga clínica Mariuza Pregnolato explica que um paciente com diagnóstico de depressão apresenta níveis de humor, de atividade, disposição, motivação e tônus vital rebaixados, sendo que, quando se recupera, volta ao estado normal de equilíbrio. Quando o episódio está dentro do transtorno bipolar, ao sair da depressão o paciente tende a entrar num estado de humor oposto ao anterior, apresentando euforia intensa seguida de hiperatividade.

Estresse, ansiedade e traumas, embora presentes em todos os casos da maníacodepressão, funcionam como disparadores para os estados de depressão ou euforia.

Causas e sintomas

A doença é desencadeada por fatores psicológicos, mas problemas biológicos relacionados aos neurotransmissores cerebrais também podem cooperar, apesar de serem causas ainda desconhecidas. Resultados de pesquisas recentes confirmam a maior incidência do Transtorno Bipolar em pessoas com histórico familiar da doença, embora isso não seja decisivo para que haja o problema, segundo Mariuza Pregnolato.

A doença se divide em dois grupos: Tipo I - episódios alternados de euforia e depressão - e Tipo II - episódios alternados de depressão com hipomania, uma euforia menos acentuada.

O Transtorno do Tipo I possui duas fases. A primeira é maníaca, onde a pessoa torna-se eufórica e acelerada, com sentimentos de grandeza e invencibilidade. Essa etapa pode se tornar delirante. A pessoa tem muitas idéias e disposição para atuar incansavelmente.

Ainda nessa etapa do processo, o paciente chega a ficar dias seguidos sem relaxar e dormindo muito pouco, com uma hiperatividade contínua. Um pensamento acaba sobrepondo ao outro, de forma intensa e acelerada, além de haver uma fala rápida e alta. Também é comum a pessoa cantar e gesticular freneticamente, tornando-se muito desinibida e facilmente irritável. O portador da doença pode explodir em crises de agressividade, recuperando rapidamente a euforia.

O problema ocasiona a elevação da libido, com intensa atividade sexual, exibicionismo, inquietude, ausência de autocrítica, comportamentos socialmente inadequados e exposição a atividades perigosas. Junto a isso, vem uma sensação de incrível bem-estar e poder, o que torna a pessoa insensível a críticas e ao perigo, negando-se a sair desse estado.

Num segundo momento, ocorre a fase depressiva. Nesse estágio, há o oposto da fase anterior. O paciente tem uma sensação de desespero e infinita tristeza, onde o tônus, a libido, a motivação, a atividade, o raciocínio e a auto-estima ficam em baixa, num quadro de desvitalização. Memória e concentração também são afetados, junto com a apatia, ideações de doenças, falta de apetite, cansaço constante chegando até ao suicídio.

Há casos do transtorno bipolar em que a mania é mais freqüente que a depressão ou vice-versa. Os intervalos entre uma situação e outra também variam, de acordo com a gravidade do problema. É possível também que haja equilíbrio de humor durante semanas ou meses, até que um novo episódio venha a ocorrer. Em graus mais graves, podem ser encontrados delírios e alucinações.

Tratamento



O tratamento psiquiátrico envolve medicação ao paciente. Dependendo das características do quadro em determinada pessoa ou da falta de respostas ao tratamento prescrito, pode haver a ECT (eletroconvulsoterapia) ou a internação, quando o grau da doença oferece riscos ao próprio paciente ou a pessoas próximas.

Quando o médico a tratar é o psicólogo, não há medicação envolvida. A terapia tem como objetivo ajudar o paciente a controlar seu humor, usando o auto-conhecimento como ferramenta, o que faz com que ele identifique os motivos que levam-no a ter estados de descompensação emocional. Nesse caso, há sessões de 50 minutos, uma ou mais vezes por semana.

Nas sessões com psiquiatras, o lítio é a substância mais utilizada como estabilizadora de humor, além das chamadas anticonvulsivantes. Eventualmente, são usados antidepressivos, prescritos com critério para que não se tornem uma dependência, e hormônios tireodianos.

O tempo de recuperação varia de caso para caso, dependendo não apenas das características da doença, mas também pelas peculiaridades do próprio paciente. Alguns se propõem a ajudar na melhora com total entrega, outros desistem antes do fim do tratamento. Quando a pessoa adere totalmente às sessões, em torno de um ano de terapia ele já apresenta habilidades no controle de suas emoções. Há casos de total eficácia do tratamento pela capacidade que o portador adquire em prever sua recaída e evitá-la.

A psicóloga lembra que "a família do paciente precisa ser orientada no sentido de conhecer melhor o transtorno e agir de modo a oferecer-lhe ajuda no manejo da situação".

Colaborou:
? Mariuza Pregnolato
Fone: (11) 3253-0384


Atualizado em 10 Abr 2012.

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