Ela foi a pioneira profissional a integrar a ComissãoTécnica da Seleção Brasileira, além de cuidar da nutrição dos atletas do time do São Paulo durante dez anos. Esta história começa em 1994, quando Dunga ainda era volante e capitão do time. Patrícia Bertolucci foi convidada pelo então preparador técnico, Moraci Santana, para assumir o posto e um lugar na história da nutrição esportiva no Brasil.
Bertolucci teve uma polêmica passagem relâmpago há 16 anos, antes que os atletas embarcassem para a Copa do Mundo nos Estados Unidos. Entre eles estavam ainda Romário, Bebeto, Jorginho e Márcio Santos, sob o comando de Carlos Alberto Parreira.
"Fiquei quatro dias e me demiti. Houve muita resistência", ela explica. "Os médicos disseram que não usariam a 'perfurmaria' que eu indicava", no caso, combinados de aminoácidos e complexos vitamínicos.
A maior polêmica na época aconteceu por causa de uma resposta dela durante a coletiva de imprensa quando afirmou que não era bom que os atletas consumissem feijoada. Ela não sabia ainda, mas a comissão brasileira já havia encomendado 60 quilos de feijão, além de toicinho e paio, para levar na viagem. O mal-estar estava criado.
Em uma reunião com o preparador e o técnico da equipe, Moraci tentava conter os ânimos, e Patrícia ouvia de Parreira que os atletas dos Emirados Árabes, treinados por ele na Copa de 1990, comiam carne de carneiro com as mãos e ainda assim marcavam gols.
Cansada de ouvir "seu lugar não é aqui", ela foi embora. E no final da história, ninguém comeu feijoada porque a comida foi toda incinerada na alfândega norte-americana. De acordo com informação de Moraci dada para Patrícia, a comissão optou por seguir a dieta recomendada pela nutricionista.
Atualizado em 10 Abr 2012.